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Opep+ eleva metas de produção de petróleo, mas aumento é simbólico devido à guerra e bloqueio do Estreito de Ormuz

Opep+ busca estabilidade no mercado de petróleo com aumento de produção, mas desafios geopolíticos limitam o alcance da decisão.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) chegou a um acordo preliminar para aumentar as metas de produção de petróleo em junho. A decisão, que visa sinalizar uma volta à normalidade e atender à demanda futura, enfrenta, contudo, obstáculos significativos devido ao cenário de instabilidade global.

Apesar do consenso para elevar a produção, o aumento anunciado permanece em grande parte simbólico. A guerra entre os Estados Unidos e o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas de transporte marítimo de petróleo mais importantes do mundo, têm impactado diretamente o fornecimento.

Esses eventos geopolíticos reduziram as exportações de países-chave como Arábia Saudita, Iraque e Kuwait, que antes eram os únicos membros do grupo com capacidade de aumentar a produção. Conforme informações divulgadas pela Reuters, a decisão da Opep+ em elevar as metas de produção busca demonstrar disposição para normalizar a oferta assim que as tensões diminuírem, mas a recuperação total dos fluxos de petróleo levará semanas, senão meses.

O aumento da produção e sua capacidade limitada

Sete países da Opep+ acordaram em aumentar as metas de produção de petróleo em aproximadamente 188.000 barris por dia em junho. Este seria o terceiro aumento mensal consecutivo. Os membros envolvidos nesta decisão específica são Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã. Eles se reunirão neste domingo para formalizar o acordo.

Vale notar que a saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo nesta semana reduziu o número de membros ativos nas decisões de produção. Com essa saída, a Opep+ agora conta com 21 membros, incluindo o Irã. Contudo, nos últimos anos, apenas os sete países mencionados, além dos Emirados Árabes Unidos, participavam ativamente das decisões mensais de produção.

Impacto da guerra e do bloqueio do Estreito de Ormuz

A guerra contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz tiveram um efeito cascata nas exportações de petróleo. Países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e os próprios Emirados Árabes Unidos viram suas remessas diminuírem drasticamente. O Irã, também membro da Opep+, sofreu com bloqueios impostos pelos Estados Unidos em abril, que também reduziram suas exportações.

A interrupção no fornecimento de petróleo impulsionou os preços da commodity para uma alta de quatro anos, ultrapassando os US$ 125 por barril. Analistas alertam para a possibilidade de uma escassez generalizada de combustível para aviação em um ou dois meses, além de um aumento na inflação global.

Perspectivas e produção anterior da Opep+

O aumento de produção planejado para junho será semelhante ao do mês anterior, que foi de 206.000 barris por dia, ajustado pela saída dos Emirados Árabes Unidos. As fontes que divulgaram essas informações preferiram permanecer anônimas por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.

A decisão da Opep+ sinaliza uma abordagem de “negócios como sempre”, indicando que o grupo está preparado para aumentar a oferta assim que a situação de guerra e bloqueios for resolvida. Em março, a produção total de petróleo bruto de todos os membros da Opep+ foi de aproximadamente 35,06 milhões de barris por dia, uma queda de 7,70 milhões de barris em relação a fevereiro, segundo relatório da Opep.

O Iraque e a Arábia Saudita foram os que mais reduziram a produção devido às restrições de exportação. Fora do Golfo, a Rússia também diminuiu sua produção após ataques de drones ucranianos danificarem sua infraestrutura.