PF intensifica investigações da Operação Compliance Zero e mira em novas delações para desvendar esquema envolvendo Banco Master e BRB
A Polícia Federal prepara novas fases na Operação Compliance Zero, que investiga um complexo esquema fraudulento entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Investigadores acreditam que o organograma da organização criminosa ainda não está completo, e o objetivo é esclarecer pontos cruciais, como a identidade do principal beneficiário da lavagem de dinheiro e do pagamento de propinas.
O grupo criminoso, segundo reportagem do Correio Braziliense, atuava vendendo títulos considerados “podres” do Master ao BRB. O intuito era lucrar com as transações e garantir um estilo de vida luxuoso aos envolvidos, utilizando ramificações no sistema financeiro, setor bancário e até na mídia para lavar os recursos obtidos com a fraude através de contratos aparentemente legítimos.
A investigação, que ganhou força após o veto da aquisição do Master pelo BRB pelo Banco Central em setembro de 2025, agora aguarda delações premiadas que prometem adicionar novos capítulos. A expectativa é que essas colaborações revelem o envolvimento de políticos e agentes públicos, impactando potenciais campanhas eleitorais deste ano. Conforme apurado pelo Correio Braziliense, a PF busca reunir provas sobre o papel de cada agente no esquema criminoso.
Delações de Daniel Vorcaro e Daniel Lopes Monteiro são cruciais para o avanço da investigação
Duas delações premiadas são vistas como fundamentais para o desenrolar da Operação Compliance Zero. A primeira é a de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a segunda, a de Daniel Lopes Monteiro, advogado acusado de ser o operador jurídico e financeiro do esquema. Ambos são peças-chave para identificar os beneficiários finais da lavagem de dinheiro.
A avaliação dos investigadores é que tanto Vorcaro quanto Monteiro podem apontar o envolvimento de **políticos e agentes públicos**, incluindo altas autoridades dos três Poderes. Isso pode gerar **repercussões significativas em diversas campanhas eleitorais** que ocorrem neste ano, adicionando uma camada de pressão política às investigações.
Ex-governador Ibaneis Rocha e ex-presidente do BRB sob escrutínio
Um dos alvos da apuração é o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Ele foi citado por Daniel Vorcaro como participante de reuniões sobre a compra do Master pelo BRB, mesmo após o banco já ter identificado a aquisição de R$ 12,2 bilhões em títulos tóxicos. Estes títulos poderiam gerar **perdas bilionárias aos cofres do BRB**, que busca se recapitalizar para mitigar os prejuízos.
Outra delação em andamento envolve Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que está preso. Costa também teria apontado o suposto envolvimento de Ibaneis Rocha nas decisões relacionadas às ações do BRB. O ex-governador, por sua vez, **nega ter participado de reuniões sobre atividades ilegais** ou ter pressionado pela compra do Master.
PF foca em provas de contratos e redes de lavagem de dinheiro
Com as delações em negociação, a PF avança para a fase de **produção de provas sobre as redes montadas pela organização criminosa**. Uma das maiores dificuldades é distinguir o que era legal do que era ilegal, especialmente em contratos que **aparentavam legitimidade, mas teriam sido usados para lavar dinheiro**, ocultar patrimônio ou desviar recursos para pagamentos de propina.
Novos desdobramentos também devem se concentrar no uso de **contratos publicitários de fachada** para ocultar dinheiro oriundo de propina ou lavagem. Além disso, a investigação apura possíveis tentativas de **pressão sobre órgãos reguladores**, como o Banco Central, buscando diferenciar contratos legítimos de mídia daqueles firmados exclusivamente para beneficiar os envolvidos no esquema.
Aguardando a primeira delação e a necessidade de informações novas
Tanto Costa quanto Vorcaro mantinham proximidade com diversas lideranças partidárias do Centrão, o que intensifica a expectativa sobre quem delatará primeiro. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ressaltou que, para uma delação premiada ser aceita, ela precisa trazer **informações novas e não seletivas** para a investigação. A delação não pode escolher alvos ou omitir valores recebidos ou ocultados em esquemas de corrupção.