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Oposição minimiza detenção de Ramagem nos EUA e alega “procedimento padrão”, mas versão oficial da PF diverge

Oposição minimiza detenção de Ramagem nos EUA e alega “procedimento padrão”, mas versão oficial da PF diverge

A detenção do ex-diretor da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, na Flórida, gerou reações imediatas da oposição no Congresso. A estratégia adotada por aliados de Ramagem tem sido a de contenção, buscando minimizar o episódio e contestar a versão apresentada pela Polícia Federal (PF).

Segundo a PF, a prisão de Ramagem ocorreu devido a uma colaboração internacional entre autoridades brasileiras e americanas. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira após uma condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, o que levanta questionamentos sobre a narrativa apresentada por seus defensores.

No entanto, a leitura pública entre os parlamentares bolsonaristas diverge significativamente. Eles afirmam que Ramagem não foi preso, mas sim detido após uma abordagem por infração de trânsito e encaminhado às autoridades migratórias, classificando o ocorrido como um “procedimento padrão” nos Estados Unidos. Conforme informação divulgada pela fonte, essa versão é a mesma defendida pelo blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Aliados de Ramagem defendem “procedimento padrão” e negam ligação com STF

O blogueiro Paulo Figueiredo, que se apresenta como sócio de uma empresa de imigração e afirma que sua equipe está prestando assistência jurídica à família de Ramagem, declarou que o ex-diretor da PF tem um pedido de asilo pendente. “Ramagem tem um pedido de asilo pendente e está sendo assistido por advogados. Não vemos risco de deportação neste momento”, disse Figueiredo, minimizando a gravidade da situação.

A deputada Bia Kicis reforçou essa linha de defesa, negando qualquer relação entre a detenção de Ramagem e decisões do ministro Alexandre de Moraes. “Ele foi detido por uma infração de trânsito e a carteira não estava atualizada. Não tem nada a ver com Alexandre de Moraes”, afirmou a parlamentar, buscando dissociar o caso das investigações em curso no Brasil.

O líder do PL na Câmara, Sostenes Cavalcante, também adotou o mesmo tom, tratando o caso como uma rotina administrativa. “Não foi prisão, foi detenção, prática muito comum nos Estados Unidos”, declarou. Ele criticou a PF, rejeitando a hipótese de cooperação internacional e classificando a informação como “asneira”, alegando que se fosse cooperação, Ramagem teria que ser extraditado.

PF rebate versão da oposição e aponta “asneira” na narrativa de “procedimento padrão”

Sostenes Cavalcante sugeriu que a narrativa de colaboração entre os países seria uma tentativa de politizar o episódio. Outros deputados seguiram a mesma linha, com Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmando que a PF “já não tem mais credibilidade”, e Zé Trovão classificando a versão oficial como “mentirosa”. “Ramagem foi detido por infração de trânsito, algo comum nos Estados Unidos”, disse Trovão.

O deputado Bibo Nunes também reagiu, classificando a situação como “pessima”. As declarações de parlamentares da oposição contrariam diretamente a informação da Polícia Federal de que a detenção ocorreu em articulação com autoridades americanas. A expectativa entre os aliados é de que Ramagem seja liberado após audiência com autoridades migratórias dos Estados Unidos.

Bastidores revelam frustração e temor de isolamento do grupo de Bolsonaro nos EUA

Nos bastidores, contudo, a versão pública de “procedimento padrão” não se sustenta completamente. Interlocutores do ex-presidente Jair Bolsonaro admitem, em reserva, que pode haver, sim, uma relação entre o episódio e a situação jurídica de Ramagem no Brasil, ainda que essa conexão seja negada publicamente. Essa avaliação interna aponta para um ponto de fragilidade na estratégia montada por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A leitura entre os aliados é que a aposta no ambiente político americano, especialmente no entorno de Donald Trump, não tem se traduzido em capacidade real de proteção ou influência em casos concretos. Como exemplo, citam a decisão de Trump de retirar as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes logo após a condenação de Bolsonaro. Neste contexto, o sentimento predominante é de frustração e temor de que o caso consolide a percepção de isolamento do grupo no exterior.

Eduardo Bolsonaro sob pressão: estratégia nos EUA falha em proteger aliados

Há também a avaliação de que o episódio representa um ônus direto para Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os Estados Unidos justamente com o objetivo de atuar junto a autoridades americanas e construir uma rede de apoio político capaz de amparar aliados em situações delicadas. A detenção de Ramagem expõe as limitações dessa estratégia e a dificuldade em obter garantias de proteção efetiva.

A divergência entre a narrativa pública da oposição e as preocupações nos bastidores evidencia a complexidade do caso. Enquanto publicamente se busca minimizar o ocorrido, internamente há o reconhecimento de que a situação de Ramagem nos EUA pode ter implicações significativas para o grupo político e sua imagem internacional, levantando sérias dúvidas sobre a efetividade da rede de apoio construída por Eduardo Bolsonaro.