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Ovos de Páscoa 2026: Cacau e Açúcar em Queda Livre Levantam Esperança, Mas Preços na Prateleira Seguem Misteriosos

Ovos de Páscoa 2026: Cacau e Açúcar em Queda Livre Levantam Esperança, Mas Preços na Prateleira Seguem Misteriosos

A indústria do chocolate se aproxima da Páscoa de 2026 com uma notícia animadora: a cotação do cacau e do açúcar registra uma queda significativa. Após um pico histórico no início de 2025, os preços das commodities que formam a base dos ovos de chocolate vêm cedendo, gerando expectativas de produtos mais acessíveis para os consumidores.

No entanto, a pergunta que fica é: essa redução nos custos das matérias-primas se refletirá em ovos de Páscoa mais baratos? A resposta da indústria, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), é complexa e não aponta para uma queda direta nos preços ao consumidor neste momento.

A dinâmica do mercado e a cadeia produtiva indicam que, embora haja um alívio global, os consumidores podem ainda sentir os efeitos de estratégias de contenção de custos e o tempo natural de repasse de preços ao longo da cadeia. Conforme informações da Abicab, o preço final na prateleira é influenciado por uma série de variáveis, não se limitando apenas ao cacau e ao açúcar.

O Cacau: De Picos Históricos a uma Queda Lenta

A trajetória do cacau em 2025 e 2026 mostra uma recuperação após um período de alta expressiva. Em janeiro de 2025, a tonelada do cacau atingiu a média de US$ 10,7 mil. Contudo, em fevereiro de 2026, essa cotação já havia recuado para cerca de US$ 3,6 mil. Essa queda, porém, ainda mantém o preço do cacau acima dos patamares históricos de anos anteriores.

Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, explica que a alta anterior foi motivada por severos problemas climáticos, como o fenômeno El Niño, que afetou a produção em Gana e na Costa do Marfim, principais produtores mundiais. A quebra de safra, somada a perdas na Bahia, levou o mercado ao pânico e à explosão dos preços.

Para mitigar os impactos, as indústrias optaram por não repassar integralmente os custos aos consumidores ou paralisar a produção. Em vez disso, reformularam produtos, reduzindo o uso de manteiga e pó de cacau e substituindo-os por gorduras vegetais mais baratas, como o óleo de palmiste. Essa mudança, segundo Bezzon, pode ser perceptível no paladar final.

Açúcar em Patamares Baixos, Mas Sem Impacto Imediato nos Ovos

A cotação do açúcar também apresentou uma correção, atingindo níveis mínimos desde outubro de 2020. Em fevereiro de 2026, os preços em São Paulo estavam em torno de R$ 98 a saca, 30% abaixo do registrado em fevereiro de 2025. Essa baixa é resultado de um cenário global de sobreoferta, impulsionado pelo aumento de área plantada no Brasil, Índia e Tailândia.

Entretanto, o consumo de açúcar tem diminuído globalmente. O analista Marcelo Di Bonifácio Filho, da StoneX, aponta o uso crescente de medicamentos para emagrecimento como um fator estrutural que afeta a demanda por produtos adoçados, especialmente em países com PIB per capita elevado.

Apesar da queda nos preços do açúcar, a Abicab ressalta que outros custos impactam o preço final dos ovos de Páscoa. Entre eles, estão os custos com leite, a taxa de câmbio do dólar e, especialmente, as variações do frete logístico. O uso obrigatório de caminhões frigoríficos para o transporte de chocolates perecíveis encarece o processo.

Produção da Páscoa 2026: Adaptações e Esperança para o Futuro

A produção dos ovos de Páscoa para 2026 começou em agosto de 2025, período em que as cotações do cacau ainda estavam elevadas, em torno de US$ 8 mil por tonelada. Por isso, ainda não houve tempo para o setor se recompor totalmente das altas e repassar as melhorias para o consumidor.

A esperança de preços mais baixos se volta para a Páscoa de 2027. Com a recuperação das safras e novos investimentos em manejo e fertilizantes, os preços do cacau despencaram pela metade em 2025 e registraram nova queda de 50% no início de 2026, voltando à média histórica de cerca de US$ 3 mil por tonelada.

Bezzon avalia que, após três ciclos consecutivos de déficit, é possível esperar novos ciclos de superávit na produção de cacau, o que pode, de fato, levar a preços mais acessíveis no futuro.

Abicab Projeta Crescimento para a Páscoa de 2026

Apesar das adaptações nas fórmulas e dos resquícios das altas passadas, a Abicab aposta em um crescimento para a Páscoa de 2026. O setor produtivo tem sentido um forte aquecimento, com a contratação de mais de 13 mil trabalhadores temporários, superando a média dos últimos três anos.

A expectativa é que as empresas ofereçam mais de 700 itens presentearáveis, um aumento em relação aos 611 itens disponíveis na Páscoa de 2025. A Abicab projeta que a Páscoa de 2026 será melhor do que a do ano anterior, impulsionada pela estabilidade econômica atual.