Anac divulga alta de 9% no preço médio das passagens aéreas em abril, alcançando R$ 669,41 por trecho.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou dados preocupantes para os viajantes brasileiros: em abril, a tarifa real média das passagens aéreas no país registrou um aumento de 9% em comparação com o mesmo período de 2025, chegando a R$ 669,41 por trecho. Em relação a abril de 2024, a alta foi ainda maior, de 9,8%.
Este cenário de encarecimento ocorre mesmo após a implementação de diversas medidas pelo governo federal com o objetivo de conter a escalada dos preços no setor aéreo. A expectativa era de que as ações surtissem efeito, mas os números indicam o contrário, pressionando o bolso dos consumidores.
A análise da Anac considera todas as rotas e o preço pago pelo serviço de transporte aéreo, excluindo taxas adicionais como bagagem e embarque, além de passagens adquiridas com milhagem ou tarifas corporativas. Os dados revelam que, apesar da alta, a maior parte dos assentos vendidos em abril (45,2%) ainda se situou na faixa de preço inferior a R$ 500, embora 6,2% tenham ultrapassado os R$ 1.500.
Combustível de Aviação sob alta e impacto nas tarifas
Um dos principais fatores que contribuem para o aumento das passagens aéreas é a elevação no preço do combustível de aviação (QAV). Em abril, o valor praticado foi de R$ 5,40 por litro, representando um aumento de 40,7% em relação a abril de 2025 e de 23,3% quando comparado a abril de 2024. Essa alta no custo operacional das companhias aéreas é repassada diretamente ao consumidor.
Medidas governamentais e seus resultados limitados
Para tentar mitigar os efeitos da alta do combustível e auxiliar o setor, o governo anunciou uma série de medidas. Entre elas, destacam-se a disponibilização de uma linha de financiamento de até R$ 2,5 bilhões por companhia aérea para aquisição de combustível, através do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac). Além disso, foi criada uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para capital de giro.
Outras ações incluem o decreto que zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o QAV, gerando uma redução estimada de R$ 0,07 por litro, e a postergação do pagamento de tarifas de navegação aérea ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) pelas empresas. O Conselho Monetário Nacional (CMN) também aprovou a concessão de financiamentos emergenciais para capital de giro, com condições específicas para as empresas.
Linhas de crédito emergenciais para o setor aéreo
O governo autorizou a criação de uma linha emergencial de crédito no valor global de até R$ 1 bilhão, destinada exclusivamente a capital de giro para prestadores de serviços aéreos de transporte doméstico regular. O valor máximo do financiamento por empresa é de até 1,6% do faturamento bruto anual de 2025, limitado a R$ 330 milhões.
Esses financiamentos terão prazo de até seis meses para reembolso, com encargos financeiros equivalentes a 100% da taxa média dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI). A liberação dos recursos está prevista para ocorrer até 28 de junho de 2026. As empresas que buscarem esses recursos deverão comprovar a inexistência de impedimentos e os impactos negativos da alta do combustível em suas operações.
Objetivo é garantir a continuidade das operações aéreas
Segundo o governo, a medida possui caráter emergencial e visa assegurar liquidez imediata às companhias aéreas, preservando a continuidade dos serviços de transporte aéreo doméstico. A forte pressão sobre os custos, decorrente da elevação recente do preço do querosene de aviação, tem sido o principal desafio para o setor.
O Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável por essas deliberações, é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e composto pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. A expectativa é que essas ações auxiliem a estabilizar o cenário para as companhias e, consequentemente, para os preços das passagens aéreas.