Petroleiras da B3: Potencial de Alta em Cenário de Preços Elevados do Petróleo
A recente efervescência no Oriente Médio, com ataques entre Irã e Israel, impulsionou os contratos futuros de petróleo a patamares superiores a US$ 90 o barril. O WTI registrou alta de 35% e o Brent de 27% em uma semana, com o valor simbólico de US$ 100 o barril cada vez mais próximo. A instabilidade no tráfego pelo Estreito de Ormuz é um fator crucial nesse cenário.
Apesar da volatilidade externa, as ações de empresas do setor de petróleo na B3 apresentaram valorização modesta no início de março. Prio (PRIO3), Brava (BRAV3), Petrobras (PETR3, PETR4) e PetroRecôncavo (RECV3) registraram ganhos entre 1% e 4%. Essa discrepância entre a alta do petróleo e o desempenho das ações reacende discussões sobre o impacto do contexto internacional no mercado brasileiro.
Pensando nisso, o Bradesco BBI realizou simulações com diferentes curvas de preços para o petróleo, buscando identificar quais ações brasileiras estão mais expostas às oscilações da commodity. As análises consideram cenários que vão desde um período de paz até um choque geopolítico severo, como o observado em 2022. Conforme informação divulgada pelo Bradesco BBI, mesmo em cenários de preços moderados, as empresas do setor demonstram assimetrias positivas, indicando potencial de valorização.
Simulações do Bradesco BBI: Três Caminhos para o Preço do Petróleo
O Bradesco BBI modelou três trajetórias distintas para os preços do petróleo. A primeira, denominada ‘Curva de Preço em Tempo de Paz’, baseou-se no piso de US$ 59/barril para o Brent em dezembro de 2025, com projeção de estabilidade próxima a US$ 60. A segunda, a ‘Curva Corrente’, já incorpora o prêmio geopolítico atual, projetando uma média de US$ 73/barril em 2026, com recuo para cerca de US$ 65 em 2027.
A terceira simulação, a ‘Curva de Choque Geopolítico de 2022’, replicou o comportamento do mercado em março de 2022, após a invasão da Ucrânia. Neste cenário, as projeções para os 12 meses seguintes indicavam Brent acima de US$ 100/barril, com valores de US$ 91 no segundo ano, US$ 82 no terceiro e US$ 70 no longo prazo. Essas simulações buscam quantificar o impacto de diferentes níveis de volatilidade do petróleo nos resultados das empresas.
Brava (BRAV3) Lidera Potencial de Alta, Prio (PRIO3) e Petrobras (PETR4) com Fatores Específicos
Segundo o relatório do Bradesco BBI, a Brava (BRAV3) desponta com o maior potencial de alta entre as companhias analisadas, considerando as diferentes trajetórias de preço do petróleo. O desempenho recente da ação ainda não refletiria plenamente o atual patamar da curva futura, sugerindo espaço para valorização caso o preço do barril se mantenha elevado.
Por outro lado, empresas com menor sensibilidade marginal, como a Prio (PRIO3), cujo perfil de geração de caixa é mais curto, tendem a capturar variações percentuais menores. No caso da Petrobras (PETR4), a análise do potencial de valorização está diretamente ligada à sua política de repasse dos preços dos combustíveis ao mercado doméstico. As projeções do BBI indicam que o dividend yield para 2026, para a Petrobras, poderia variar entre 6% e 12,5%, dependendo da curva de preços e do grau de repasse.
Impacto das Simulações nos Preços-Alvo e Dividend Yield
As estimativas do Bradesco BBI apontam que os preços-alvo das ações de petroleiras na B3 poderiam sofrer uma queda de 9% em um cenário de normalidade. Contudo, sob a curva vigente, o crescimento estimado é de 7%. Em um cenário de choque geopolítico mais severo, o avanço poderia chegar a 50%, demonstrando a alta sensibilidade do setor a eventos externos.
As projeções de dividend yield para 2026 evidenciam essa variação. O BBI estima que o retorno em dividendos possa oscilar entre 6% e 12,5% para a Petrobras, dependendo da curva de preços do petróleo e da política de repasse de preços ao consumidor final. Esse fator se torna crucial para investidores que buscam renda passiva no setor petrolífero em um ambiente de preços elevados da commodity.