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Preço do Diesel Dispara 20% na Bomba em Março: Guerra no Oriente Médio e Importação Pressionam Preços do Combustível

Diesel S10 já acumula alta de 19,71% em março, segundo IBPT, superando reajustes da Petrobras e impactando transporte de cargas no Brasil.

O combustível mais utilizado no transporte de cargas no Brasil, o diesel S10, registrou um aumento expressivo de 19,71% nos preços praticados nas bombas entre os dias 1º e 16 de março. Os dados são de um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que analisou mais de 192 mil notas fiscais eletrônicas em todo o país.

A aceleração dos preços foi notável, com a primeira semana de março já apresentando um reajuste de 8,70%. A recente escalada nas cotações internacionais do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, intensificou a pressão sobre os valores, indicando que as medidas de desoneração de tributos federais podem não ser suficientes para conter a alta.

O cenário complexo envolve não apenas a volatilidade do mercado internacional, mas também a dependência brasileira de diesel importado e a defasagem entre os preços domésticos e os valores praticados no exterior. Especialistas apontam que fatores macroeconômicos têm um peso maior na formação do preço final do combustível do que a carga tributária.

Alta do Petróleo e Guerra no Oriente Médio Elevam Custos

A disparada nos preços do diesel está diretamente ligada à nova rodada de alta nas cotações do petróleo, que tem sido pressionada pela escalada da guerra no Oriente Médio. Essa conjuntura internacional impacta diretamente os custos de importação do combustível para o Brasil, que depende de cerca de 30% de diesel importado para atender à sua demanda.

Murilo Barco, diretor da Valêncio Pricing, consultoria especializada em custos de combustíveis, explica que o preço do diesel no Brasil é mais influenciado por fatores macroeconômicos. Ele destaca o custo do petróleo, a taxa de câmbio e os custos de frete como elementos cruciais na formação do preço final. A instabilidade geopolítica global agrava ainda mais essa situação.

Importação Desestimulada e Risco de Restrição de Oferta

A defasagem entre os preços domésticos e a paridade internacional do diesel tem desestimulado os importadores. Segundo a Abicom, associação que representa os importadores, os preços médios no Brasil estão 57% abaixo do valor internacional, uma diferença que aumentou nos últimos dias. Sérgio Araujo, presidente executivo da Abicom, afirma que a Petrobras está praticando preços significativamente abaixo da paridade internacional.

Essa diferença faz com que o diesel importado chegue ao Brasil com um custo superior ao praticado internamente. Consequentemente, alguns importadores estão evitando fechar novos negócios para abril em diante, gerando um alerta sobre uma potencial restrição de oferta de diesel importado no mercado brasileiro no próximo mês. Essa escassez pode pressionar ainda mais os preços para cima.

Desonerações Insuficientes e Mudanças na Tributação Estadual

A desoneração de tributos federais como PIS e Cofins, anunciada recentemente, tem se mostrado insuficiente para conter a alta dos preços do diesel. Além disso, mudanças na forma de cobrança do ICMS, principal tributo estadual, também impactam a dinâmica de preços. Desde 2022, a base de cálculo do ICMS sobre o diesel mudou de uma média de preços nas bombas para um valor fixo anual, o que, segundo especialistas, torna a tributação mais estável, mas diminui o efeito de desonerações em momentos de crise.

Eduardo Melo, sócio diretor da consultoria Raion, especializada no mercado de combustíveis, aponta que mesmo a desoneração do ICMS sobre o diesel importado traria um alívio limitado, pois a defasagem de preço é maior. Ele ressalta que a Petrobras precisaria alinhar seus preços à paridade internacional para resolver o problema de forma mais efetiva e garantir o abastecimento. A situação atual já causa restrições de entrega para clientes que compram no mercado à vista, sem contratos de longo prazo.

Mercado à Vista com Restrições e Clientes Sem Contrato Sofrem

Postos sem bandeira e Transportadoras Revendedoras de Retalhistas (TRRs) que compram diesel no mercado à vista já enfrentam dificuldades. Esses agentes, que não possuem contratos de fornecimento de longo prazo com distribuidoras, estão tendo seus pedidos negados. Eduardo Melo, da Raion, afirma que a situação de abastecimento se degrada diariamente, tornando mais difícil a aquisição de produtos a cada dia.

Relatos indicam que até mesmo clientes maiores, com contratos estabelecidos, estão recebendo volumes menores do que o contratado. Essa instabilidade no fornecimento, somada à pressão dos preços internacionais, cria um cenário desafiador para o setor de transporte e para a economia como um todo, evidenciando a necessidade de soluções mais abrangentes para a estabilidade do preço do diesel.