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Quando o seguro contra enchente indeniza e quando não, saiba o que cobrem seguro residencial, habitacional, automóvel, rural e transporte em casos de alagamento

Entenda quando o seguro contra enchente cobre perdas, quais apólices e coberturas considerar, e como agir se a sua apólice não incluir alagamento ou inundação

Chuvas intensas e alagamentos têm revelado que muitos consumidores descobrem só após o prejuízo que o seguro contratado não cobre danos por inundações. Coberturas para enchentes costumam não estar no pacote básico e dependem de contratação adicional.

Em diferentes tipos de apólice, como automóvel, residencial, habitacional, transporte ou rural, as proteções, limites e franquias variam bastante, por isso é fundamental comparar opções e ler a apólice com atenção antes de contratar.

As orientações e dados usados neste texto foram compiladas a partir de informações divulgadas pelo InfoMoney, que citou órgãos como a Susep e a CNseg.

O que o seguro de automóvel costuma cobrir em enchentes

O seguro compreensivo, também chamado de seguro total, costuma cobrir danos por alagamentos provocados por água doce, incluindo perda total do veículo quando os danos são extensos. Em geral, o segurado tem direito a receber o valor conforme a Tabela Fipe e as cláusulas da apólice.

No entanto, é comum a exclusão de danos causados por água do mar ou eventos em áreas costeiras, por isso verifique cláusulas e exceções. Também é importante não forçar a travessia de trecho alagado, pois isso pode agravar o dano e até invalidar a cobertura.

Seguro residencial, habitacional e a diferença entre coberturas básicas e adicionais

A cobertura básica do seguro residencial inclui riscos como incêndio, queda de raio e explosão, enquanto coberturas para inundações, alagamentos e danos por água normalmente estão entre as adicionais. Na contratação é exigida a escolha de ao menos uma cobertura adicional, contudo a proteção contra alagamentos é pouco adotada.

No caso de imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação, o seguro habitacional é obrigatório e costuma cobrir desmoronamento, vendavais, destelhamento e inundações decorrentes de chuvas, além de garantir a quitação do saldo devedor em sinistros graves.

Quando o prejuízo fica com o morador e quando alguém pode ser responsabilizado

Sem seguro residencial, não há indenização imediata, e a maioria dos prejuízos fica com o proprietário. Quando o dano decorre de problemas de drenagem, entupimento de bueiros, ou queda de árvores em áreas públicas, é preciso provar omissão específica do poder público, como falta de manutenção, projeto ruim ou execução falha.

Nesses casos, junte provas, como fotos, vídeos, registros da Defesa Civil e protocolos de reclamação, e busque indenização administrativa ou judicialmente. A construtora também pode responder por falhas de impermeabilização, drenagem mal executada e vícios estruturais, especialmente em imóveis mais novos.

Panorama do setor e recomendações das entidades

Segundo dados citados pelo InfoMoney, “entre 2015 e 2019, o país registrava em média 2.500 eventos climáticos por ano. De 2020 a 2024, o número subiu para cerca de 4.500 ocorrências anuais”, conforme o estudo “Radar de Eventos Climáticos e Seguros do Brasil”, elaborado pela CNseg.

No Brasil, apenas 20% das residências possuem seguro residencial, e entre elas, menos de 0,14% incluem cobertura contra alagamentos e enchentes, que são opcionais e não obrigatórias, segundo levantamento feito pela FenSeg.

A Susep destaca que “eventos climáticos extremos têm ocorrido com maior frequência e impacto econômico, exigindo novas respostas de política pública e de mercado”, e a CNseg alerta que o país vive “uma combinação preocupante” de frequência e intensidade de eventos somada a baixo nível de proteção securitária.

As seguradoras pedem atenção à apólice, pois, nas palavras de uma representante do setor, “É essencial compreender se a apólice inclui cobertura para alagamento, inundações, vendaval, desmoronamento, danos elétricos por sobrecarga decorrente de tempestades e, no caso de empresas, eventual cobertura para lucros cessantes“.

Na prática, antes de contratar, avalie riscos da sua região, compare coberturas e franquias, e, se for atingido por enchente, documente tudo e consulte um especialista para orientar sobre acionamento do seguro ou medidas contra terceiros responsáveis.