Uma análise hipotética sobre o impacto da inteligência artificial desencadeou vendas generalizadas e deixou investidores em alerta em Wall Street.
O relatório, publicado pela Citrini Research no domingo, foi amplamente discutido durante a sessão e ajudou a intensificar uma correção já em curso em ações ligadas à tecnologia.
Os principais movimentos e citações sobre o episódio foram relatados pela Bloomberg, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
O texto e a reação imediata do mercado
A publicação de mais de 7.000 palavras, intitulada “A Crise Global de Inteligência de 2028”, projetou um cenário distópico em que automação e IA geram demissões em massa, deflação e desemprego acima de 10%.
Ao abrir o pregão na segunda-feira, o índice S&P 500 passou rapidamente de verde para vermelho e fechou o dia com queda de mais de 1%, segundo a reportagem.
Um indicador de ações financeiras teve seu pior desempenho desde abril, e um ETF importante de software despencou mais de 4%, impactando papéis citados no relatório.
Entre as empresas mencionadas estavam ServiceNow Inc., DoorDash Inc. e American Express Co., e as ações dessas companhias registraram perdas no dia, embora a Citrini não tenha posição vendida em nenhuma delas.
Quem é James van Geelen e qual o alcance da Citrini Research
James van Geelen, de 33 anos, fundou a Citrini Research depois de vender uma empresa de medicina alternativa, e passou a publicar pesquisas e a montar um público fiel.
Wall Street começou a prestar atenção em suas análises após a falência do Silicon Valley Bank em março de 2023, quando alertas anteriores seus sobre estar vendido se mostraram corretos.
A Citrini tem cerca de 10 funcionários, é sediada em Nova York, e sua newsletter paga reúne mais de 119.000 assinantes, sendo a publicação paga mais vendida do Substack, conforme a matéria.
Van Geelen disse, conforme a reportagem, “Se eu achasse que as ações iriam reagir a isso, não teria disponibilizado gratuitamente”, e a divulgação acabou atraindo atenção ampla do mercado e de potenciais clientes.
Por que a inteligência artificial virou fonte de preocupação
Investidores já vinham vendendo ações ligadas à IA nas semanas anteriores, atingindo setores como software, corretagem de seguros, gestão de patrimônio e segurança cibernética.
O relatório da Citrini, somado a receios sobre tarifas, geopolítica e ferramentas de startups de IA, intensificou o sentimento negativo e serviu como um ponto de foco para ansiedades existentes.
Van Geelen afirmou, na reportagem, “O mercado está claramente nervoso com isso”, e disse que o artigo funcionou como catalisador para investidores que já estavam preocupados com a disrupção de segunda ordem causada pela IA.
Consequências imediatas e próximas etapas
No dia seguinte, ações e índices que caíram na segunda-feira se recuperaram em grande parte, mas o episódio expôs a incerteza persistente nos mercados.
Ao fim do dia de queda, o telefone de van Geelen não parava de tocar, com potenciais clientes requisitando pesquisas e oferecendo feedback, conforme a reportagem.
A Citrini não administra dinheiro externo, embora sua afiliada conste como acionista vendedora no prospecto da RoboStrategy Inc., com as 50.000 ações atribuídas representando 0,25% do total registrado para possível revenda.
O objetivo declarado do relatório foi iniciar um debate para evitar que o cenário descrito ocorresse, e van Geelen disse que a equipe passou tempo tentando refutar internamente o pior cenário antes de publicar.
Ele também relatou um diálogo curioso com um leitor que usou o chatbot Claude AI para refutar a tese, e citou que “Se você terceiriza sua reflexão sobre por que a tese de que a IA nos substituirá está errada, recorrendo à IA, você acaba minando seu próprio argumento”.
O caso ressalta como a discussão sobre inteligência artificial deixou de ser apenas uma aposta de crescimento e passou a ser um fator relevante de risco para avaliações e decisões de investimento.