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Renda Per Capita Recorde em 2025: Brasileiros Mais Ricos Disparam e Aumentam Desigualdade, Aponta IBGE

IBGE Revela Recorde na Renda Per Capita em 2025, Mas Crescimento Desigual Preocupa

A renda mensal domiciliar per capita no Brasil atingiu um novo patamar histórico em 2025, alcançando R$ 2.264. Este valor representa um aumento significativo de 6,9% em comparação com o ano anterior, 2024. A pesquisa do IBGE, divulgada nesta sexta-feira, 8, mostra uma melhora generalizada em todas as faixas de renda da população brasileira.

Contudo, a análise detalhada dos dados revela um cenário de crescente desigualdade. Enquanto a renda de todos os estratos sociais apresentou alta, o ganho dos brasileiros mais abastados foi consideravelmente superior. Esse fenômeno, segundo o IBGE, está atrelado a um mercado de trabalho aquecido e à remuneração atrativa de aplicações financeiras devido aos juros elevados.

Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE, explicou que “a população de maior renda teve crescimento acima da média populacional, apesar de a renda ter crescido para todos os estratos”. Ele ressaltou que não houve piora na renda geral, mas sim uma aceleração no topo da pirâmide socioeconômica.

Os Mais Pobres: Uma Melhora Timida em Meio à Dificuldade

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) – Rendimento de todas as fontes, indicam que os 10% mais pobres do país tiveram um aumento real de 3,1% em sua renda média mensal per capita em 2025, após o desconto da inflação. Apesar dessa melhora, o valor absoluto ainda é alarmante: apenas R$ 268 mensais, o que equivale a R$ 8,93 por dia.

Os Mais Ricos: Um Salto Exponencial na Renda

Em contrapartida, o topo da distribuição de renda experimentou um crescimento bem mais expressivo. Os 10% mais ricos da população brasileira viram sua renda média per capita aumentar em 8,7%, chegando a R$ 9.117 mensais. Para a parcela ainda mais restrita do 1% mais rico, o ganho foi ainda maior, com um acréscimo de 9,9%, elevando a renda per capita para R$ 24.973 em 2025.

Fontes aponta que a parcela mais pobre da população, historicamente alvo de benefícios sociais que não tiveram reajustes significativos em 2025, pode ter tido seu crescimento limitado. Em contraste, o aumento expressivo da renda dos mais ricos pode ser explicado por diversos fatores. O mercado de trabalho aquecido beneficiou trabalhadores mais qualificados, aplicações financeiras com juros altos renderam mais, e o rendimento de aluguéis também apresentou trajetória ascendente, impulsionando a renda daqueles com maior patrimônio imobiliário.

Desigualdade Aumenta, Mas Continua Abaixo do Nível Pré-Pandemia

O índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Embora represente uma leve alta, este valor ainda se mantém significativamente abaixo dos 0,543 registrados em 2019, ano anterior à pandemia. O analista do IBGE ressalta que “a gente não nota uma tendência clara de elevação”, e que a oscilação em 2025 mantém o indicador próximo de sua mínima histórica.

Apesar da leve melhora na desigualdade em relação a 2019, a concentração de renda no Brasil ainda é um desafio. Em 2025, os 10% mais ricos concentravam 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, superando a soma dos 70% mais pobres, que juntos auferiram 32,8%. A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita atingiu o pico de R$ 481,389 bilhões em 2025, um crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior.

Perspectiva de Longo Prazo Mostra Ganho Maior para os Mais Pobres

Ao analisar um período mais extenso, como de 2019 a 2025, o cenário se inverte. O rendimento domiciliar per capita cresceu em todas as faixas, mas o aumento foi substancialmente maior entre os mais pobres. Os 10% mais vulneráveis tiveram um ganho de 78,7%, enquanto os 10% mais ricos registraram um aumento de 11,9%. A média populacional teve um crescimento de 18,9% nesse período. Fontes atribui essa melhora aos ganhos no mercado de trabalho, reajustes do salário mínimo e programas sociais governamentais.