Setor de Seguros de Minas Gerais Lança Projeto Inovador para Ampliar Proteção e Mitigar Impactos de Tragédias
As recentes enchentes que devastaram Minas Gerais em fevereiro deixaram um rastro de destruição e expuseram a vulnerabilidade de muitas comunidades. Em Ubá, Zona da Mata mineira, a tragédia resultou em 69 mortes e prejuízos que ultrapassaram R$ 650 milhões ao setor produtivo, conforme dados da Aciubá. Esse cenário alarmante impulsionou o Sindicato dos Corretores de Seguros de Minas Gerais (Sincor-MG) a lançar o projeto “Cidades Protegidas”.
A proposta inovadora busca criar um modelo de atuação conjunta, fomentando o diálogo entre prefeituras, empresas, forças de segurança e a sociedade civil. O objetivo é identificar as fragilidades específicas de cada município mineiro e, a partir desse diagnóstico, desenvolver soluções de seguro personalizadas e acessíveis.
“Não podemos mais conviver com as tragédias sem fazer nada. O mercado de seguros pode atuar de forma preventiva para amenizar os impactos”, afirmou Gustavo Bentes, presidente do Sincor-MG. A iniciativa visa ir além da remediação, focando na prevenção e na redução dos danos econômicos, sociais e ambientais causados por eventos extremos.
Soluções Acessíveis para Proteção Familiar e Comunitária
O projeto “Cidades Protegidas” prevê a oferta de produtos de seguro com foco na acessibilidade, incluindo proteção familiar, assistência funeral, cobertura para morte acidental e serviços essenciais como telemedicina. A necessidade dessas coberturas ficou evidente após as enchentes, quando a prefeitura de Juiz de Fora precisou contratar emergencialmente serviços de assistência funeral, despesas que geralmente não estão previstas nos orçamentos públicos.
A incorporação de soluções de seguro já existentes ao planejamento municipal e estadual pode aliviar a pressão sobre o poder público e garantir respostas mais rápidas e estruturadas em momentos de crise. A ideia é que a proteção securitária se torne um pilar de resiliência para as cidades mineiras.
Corretores de Seguros como Agentes de Transformação Local
Os corretores de seguros desempenham um papel fundamental no projeto “Cidades Protegidas”. Distribuídos por todo o estado, eles são vistos como peças-chave para disseminar informações, orientar a população e conectar as necessidades locais às soluções oferecidas pelo mercado. O Sincor-MG planeja percorrer todas as regiões de Minas Gerais em 2026 para apresentar e implementar a iniciativa.
O modelo já desperta interesse em outros estados. André Thozeski, presidente do Sincor-RS, esteve presente no lançamento e manifestou o desejo de replicar o projeto no Rio Grande do Sul, especialmente após os impactos severos de eventos climáticos extremos em 2024. “A ideia é entender a execução na prática e replicar o modelo no estado com o mesmo padrão de qualidade”, comentou.
Integração entre Setor Público e Privado: Um Pilar Essencial
A aproximação entre o mercado segurador e a gestão pública é um dos pilares do “Cidades Protegidas”. Segundo Maurício Tadeu, especialista em seguros, essa integração é crucial para a eficácia das políticas de prevenção. “O mercado precisa se aproximar da gestão pública, entender suas necessidades e ajudar tanto na mitigação quanto na transferência de riscos”, ressaltou.
Tadeu defende o desenvolvimento de produtos específicos para riscos climáticos e a criação de ferramentas ágeis, como os seguros paramétricos, que permitem indenizações automáticas baseadas em indicadores pré-definidos, como volume de chuva acima de um certo limite.
Conscientização sobre Planejamento Sucessório para Empresas
Outro ponto abordado pelo projeto é a conscientização sobre sucessão patrimonial em empresas. Regina Banks, embaixadora do Sincor-MG, destacou que a falta de planejamento sucessório é um risco pouco discutido, mas com forte impacto econômico e social, podendo levar ao fechamento de negócios. “Não existe cidade sem empresa. Quando uma empresa fecha por falta de planejamento, o impacto atinge toda a sociedade”, ponderou.
A orientação é que as regras de sucessão sejam definidas previamente em contrato social, evitando conflitos futuros. “O melhor momento para tratar disso é antes. Depois, em um cenário de perda, a decisão fica mais difícil e sujeita a conflitos”, concluiu Banks.