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Shell oferece até R$3,5 bilhões em apoio à Raízen, risco de recuperação judicial, dívida de R$55,3 bilhões e necessidade de R$25 bilhões

A Shell, sócia majoritária da joint venture com a Raízen, está disposta a ampliar o apoio à Raízen por meio de uma injeção de capital significativa, com o objetivo de evitar uma recuperação judicial.

A Raízen enfrenta forte pressão financeira após perdas e redução de volumes de moagem, e o aporte surge como alternativa à reestruturação formal da empresa.

Fontes disseram que os valores e condições ainda não estão definidos, e que qualquer movimento dependerá de acordos adicionais entre os acionistas e credores.

conforme informações divulgadas pela Reuters.

Detalhes do aporte e quem pode contribuir

Segundo fontes consultadas, até a semana passada a Shell estava disposta a injetar R$2,5 bilhões na Raízen, e desde então indicou que ofereceria até R$3,5 bilhões, montante sujeito a certas condições, de acordo com duas das fontes.

Uma terceira fonte afirmou que o apoio sugerido pela Shell aumentou nas últimas semanas e que nada estava definido até que um acordo fosse fechado, embora tenha acrescentado que a companhia listada em Londres estava disposta a contribuir com um valor desproporcional à injeção de capital.

A Shell e sua parceira na joint venture, a Cosan, detêm cada uma 44% da Raízen, enquanto 12% das ações permanecem em livre circulação, e a Cosan poderia contribuir com R$1 bilhão, enquanto o presidente do conselho da Raízen, Rubens Ometto, poderia fornecer até R$1 bilhão, condicionado a um acordo de financiamento atualmente em negociação, disseram as fontes.

Cenário financeiro, perdas e dívidas

A Raízen registrou um prejuízo líquido de R$15,6 bilhões no terceiro trimestre, em meados de fevereiro, quando também alertou para uma ‘incerteza relevante’ sobre a capacidade da empresa de continuar operando.

A companhia viu sua dívida líquida aumentar exponencialmente, atingindo R$55,3 bilhões em 31 de dezembro, após uma combinação de grandes investimentos, condições climáticas instáveis e incêndios nos canaviais, que reduziram rendimentos agrícolas e volumes de moagem.

Um credor disse à Reuters que, para reforçar suas finanças, a Raízen precisaria de aproximadamente R$25 bilhões, incluindo capital novo e a receita da venda de sua unidade argentina, que deve render cerca de US$1 bilhão.

Riscos, avaliações e próximos passos

A companhia contratou os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, juntamente com a Rothschild & Co como consultora financeira, para avaliar alternativas estratégicas e financeiras.

O anúncio levou a rebaixamentos rápidos das classificações de crédito da Raízen por agências como S&P Global, Fitch e Moody’s, e a Moody’s citou, em relatório, que a empresa enfrenta “a alta alavancagem da empresa e a geração contínua de fluxo de caixa negativo, o alto ônus com juros e os resultados mais fracos do que o normal no segmento principal de açúcar e etanol”.

Fontes ressaltam que nada está fechado, que negociações e condições seguem em aberto, e que “A Shell, a Cosan e Ometto se recusaram a comentar” sobre as conversas públicas e as propostas em curso.