Verde Asset chama Trump de “errático” e mercado prova ponto em seguida
A Verde Asset Management, conhecida por suas análises assertivas no mercado financeiro, descreveu o estilo de decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “muito mais errático e incerto do que a capacidade analítica de qualquer um.” Em sua carta mensal, a gestora liderada por Luis Stuhlberger, apontou que essa imprevisibilidade, paradoxalmente, poderia levar Trump a recuar no conflito com o Irã.
O argumento central da Verde Asset baseia-se nos incentivos internos de Trump. Com as eleições presidenciais se aproximando em novembro e o partido republicano enfrentando queda de popularidade, o aumento do preço do petróleo, decorrente de um conflito militar, seria um fator prejudicial para a reeleição. “Incentivos influenciam comportamento”, destacou a gestora.
A teoria da Verde Asset ganhou força poucos momentos após a divulgação da carta. Em entrevista à CBS News, Donald Trump afirmou que a guerra contra o Irã estava “praticamente concluída” e que os Estados Unidos estavam “muito à frente” do prazo inicialmente estimado para o desfecho do conflito. A declaração agitou os mercados financeiros globais.
Mercados Reagem Imediatamente à Fala de Trump
A resposta dos mercados financeiros foi rápida e expressiva. No Brasil, o Ibovespa registrou um salto de mais de 1,3%, superando os 181.800 pontos, enquanto o dólar apresentou uma queda superior a 1%, cotado a R$ 5,17. O petróleo WTI, que havia acumulado ganhos durante o dia, zerou suas valorizações e passou a operar em queda de aproximadamente 2%.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 reverteu as perdas e virou para alta de 0,4%, e o Nasdaq saltou 1%. Essa recuperação ocorreu após o Dow Jones chegar a cair quase 900 pontos em seu ponto mais baixo na sessão, demonstrando a volatilidade causada pelas incertezas e, em seguida, pela declaração de Trump.
Verde Asset Reconhece Limites da Análise de Conflitos
A Verde Asset, apesar de sua previsão se mostrar correta em relação à tendência de recuo no conflito, admitiu as dificuldades inerentes à análise de situações de guerra. A gestora ressaltou que prognósticos sobre a evolução de conflitos tendem a ter pouca valia, dada a natureza imprevisível dos eventos. Contudo, a visão direcional de uma redução do conflito, mesmo que não um encerramento total, e o consequente alívio nos prêmios de risco, se confirmou.
A gestora também fez ressalvas sobre as consequências de médio prazo, indicando que ainda era cedo para avaliá-las. A declaração de Trump, ao encurtar o prazo do conflito, impacta essa perspectiva, mas a incerteza sobre a arquitetura do pós-guerra, como a substituição de lideranças iranianas, permanece como um ponto de atenção.
Desempenho da Verde Asset em Fevereiro
Antes da tensão gerada pelo conflito, fevereiro foi um mês positivo para a Verde Asset. O fundo registrou uma alta de 1,44%, superando o CDI (1,00%) no período. No acumulado do ano, o fundo apresentou um ganho de 4,51%, contra 2,17% do benchmark. Os lucros vieram de investimentos em ações no Brasil, ouro, juros reais locais e câmbio.
O ouro, em particular, mostrou forte valorização, subindo 7,7% em fevereiro e 13,4% em janeiro, sendo considerado pela carta da Verde como o “termômetro mais claro” da realocação global de capital para fora dos Estados Unidos e do dólar. Mercados emergentes também apresentaram ganhos expressivos.
Ajustes no Portfólio Frente à Turbulência
Diante da volatilidade recente, a Verde Asset realizou ajustes em seu portfólio. No final de fevereiro, a gestora reduziu sua exposição à bolsa local, mas retornou a aumentar a posição após o choque inicial do conflito. Foi incluído o iene na cesta de moedas contra o dólar, com redução do euro, e manutenção de posições em renminbi, ouro e opções de compra no real.
Na renda fixa local, a Verde Asset manteve sua posição comprada em juros reais. Nos Estados Unidos, a estratégia incluiu a manutenção de aplicações em juros reais e uma posição comprada em inflação implícita. A gestora também sinalizou atenção ao cenário doméstico, citando escândalos políticos que reforçam a preocupação com a deterioração institucional e o início iminente do ciclo eleitoral.