Adidas enfrenta forte queda nas ações após divulgação de resultados mistos, com lucro operacional abaixo das expectativas.
A gigante alemã de artigos esportivos Adidas viu suas ações sofrerem uma queda expressiva de 17% no pregão, um reflexo direto da decepção dos investidores com seus resultados financeiros recentes. Apesar de um aumento na previsão de vendas anuais, impulsionado pela demanda por seus produtos de estilo retrô e pelo sucesso da Copa do Mundo, o lucro operacional da empresa no último trimestre ficou aquém das expectativas do mercado.
O aumento significativo nos gastos com marketing, cerca de 30% a mais em relação ao ano anterior, principalmente devido às campanhas ligadas à Copa do Mundo, impactou diretamente a lucratividade. Essa estratégia, embora tenha impulsionado as vendas, parece não ter sido suficiente para satisfazer os analistas e os acionistas, que esperavam um desempenho financeiro mais robusto.
A combinação de um lucro operacional abaixo do esperado com o forte investimento em publicidade reacende o debate sobre a sustentabilidade do crescimento da Adidas no cenário pós-Copa do Mundo. Conforme informação divulgada pela Reuters, analistas do Deutsche Bank e do Citi expressaram preocupação com o ritmo de crescimento e a capacidade da empresa de manter o ímpeto após o evento esportivo.
Copa do Mundo e moda retrô impulsionam receita, mas não o lucro
Apesar dos desafios na lucratividade, a Adidas demonstrou força nas vendas, impulsionada em parte pela visibilidade gerada pela Copa do Mundo e pela contínua popularidade de modelos clássicos, como os tênis Samba e Gazelle. A estratégia da empresa de aumentar a disponibilidade de produtos para atender à demanda dos consumidores e parceiros de varejo foi um fator chave para esse desempenho.
O impacto da Copa do Mundo foi notável, com um aumento expressivo no fluxo de clientes nas lojas da Adidas nos Estados Unidos. Segundo um relatório da Placer.ai, houve um disparo de 44,7% no fluxo de clientes na semana de 15 de junho, coincidindo com a primeira semana completa da fase de grupos do torneio. Esse dado evidencia o poder de atração de grandes eventos esportivos para o varejo.
Adidas eleva projeção de receita para 2026, mas lucro operacional preocupa
Olhando para o futuro, a Adidas revisou para cima sua expectativa de receita para 2026, prevendo agora um crescimento entre 9% e 10%, ajustado pelo câmbio. Essa elevação substitui a projeção anterior de crescimento na casa dos dígitos únicos altos, sinalizando otimismo quanto ao volume de negócios.
No entanto, a meta de lucro operacional para o ano atual, estimada em cerca de 2,3 bilhões de euros, foi ofuscada pelo resultado do segundo trimestre. O lucro operacional do período de abril a junho subiu 5%, atingindo 574 milhões de euros, mas ficou abaixo dos 623 milhões de euros esperados pelos analistas. A receita trimestral, por sua vez, cresceu 14%, alcançando 6,74 bilhões de euros, superando as projeções do mercado.
Mudança na diretoria financeira e desafios no mercado europeu
Em um movimento separado, a Adidas anunciou a nomeação de Birgit Kretschmer para suceder Harm Ohlmeyer como diretor financeiro ao final do ano. Essa transição ocorre em um momento de atenção redobrada aos indicadores financeiros da companhia.
A empresa também destacou que o crescimento de dois dígitos em suas vendas foi observado em todas as regiões, com exceção da Europa. Na Europa, a estratégia de grandes descontos aplicada por diversos varejistas exerceu pressão sobre o segmento de calçados de estilo de vida, impactando os resultados na região.

