Aena assume Galeão e enfrenta o desafio de torná-lo um hub internacional competitivo
Com a vitória no leilão de repactuação do Galeão, a espanhola Aena agora controla dois terminais estratégicos no eixo Rio-São Paulo. A agressividade nos lances demonstra a prioridade do Brasil para o grupo, mas o principal desafio será reposicionar o Galeão como um hub internacional competitivo, distinto dos terminais domésticos e regionais que a empresa opera no país.
A gestão da relação entre Congonhas e Galeão, com rotas que podem ser complementares ou concorrentes, também será um ponto de atenção crucial para a nova concessionária. A avaliação é de Pedro Abrãao Jr., especialista em direito empresarial.
O alto ágio no leilão valida o modelo de venda assistida e sinaliza a confiança do mercado nas novas regras de concessão, especialmente a troca da outorga fixa pela contribuição variável de 20% da receita bruta. Essas informações foram divulgadas por especialistas em infraestrutura e direito empresarial, conforme apurado pela reportagem.
Simplificação da governança e foco na operação
Para Ivana Cota, advogada especialista em infraestrutura e regulatório, a saída da Infraero da concessão simplificará a governança, centralizando a gestão na concessionária privada. “A partir de agora, o foco passa a ser a transição da concessão e a implementação do novo ciclo contratual”, afirma.
Esse processo envolve a assunção das obrigações pela nova concessionária e o alinhamento com o poder concedente para garantir a continuidade dos serviços e a execução dos investimentos previstos. A intenção é dar mais estabilidade ao projeto nesta nova etapa, segundo Cota.
Mudanças contratuais atraem investimento e sucesso no leilão
Fernando Vernalha, sócio de um escritório de advocacia especializado, destaca que as mudanças implementadas no novo contrato de concessão tornaram o projeto atrativo. O lance vencedor superou a expectativa inicial de arrecadação do governo, de R$ 1,5 bilhão, revelando um certame bastante competitivo.
“A saída da Infraero da composição acionária, mudanças nos encargos, como a exclusão da obrigação de construção de nova pista, e atualizações regulatórias, especialmente no sistema de pagamento de outorga, contribuíram para o sucesso desse certame”, explica Vernalha.
Esses ajustes regulatórios foram necessários para atualizar o contrato de concessão e torná-lo economicamente viável. A nova estrutura contratual é vista como um fator chave para atrair investimentos e garantir a competitividade do Galeão no cenário internacional.
Aena consolida liderança e expande portfólio estratégico
Paulo Dantas, especialista em infraestrutura e financiamento de projetos, afirma que a vitória no Galeão consolida a posição da Aena como a maior operadora aeroportuária do Brasil em número de terminais e em relevância estratégica do portfólio. “Agora com o Galeão, o potencial de exploração tanto de rotas regionais quanto internacionais é bastante significativo”, pontua.
Gilvandro Araujo, ex-diretor jurídico da Infraero, sugere que o repactuamento da concessão do Galeão indica que o problema não está no ativo em si, mas no modelo das primeiras concessões, que era inferior ao atual. O desempenho do Galeão, contudo, dependerá também da governança do Rio para sustentar a demanda de passageiros, especialmente no turismo.
David Goldberg, sócio-diretor de uma consultoria especializada, avalia que a Aena tinha bons motivos para ser competitiva, pois o Galeão complementa seu portfólio, sendo um aeroporto voltado ao tráfego internacional, algo que a empresa ainda não possuía em larga escala no Brasil. O novo contrato não prevê investimentos adicionais, pois a concessionária já possui um grande portfólio de investimentos a desenvolver em outros aeroportos.