Queda na Expansão dos Voos: Combustível de Aviação Atinge Patamar Crítico e Impacta Custos das Companhias Aéreas
O setor aéreo brasileiro enfrenta um novo desafio com o expressivo reajuste no preço do querosene de aviação (QAV). Um aumento de até **56,3%**, somado a outro de 9,4% em março, eleva o custo do combustível para **45% dos gastos operacionais** das companhias. Essa escalada representa um freio significativo para a expansão da oferta de voos no país, segundo alerta da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
A entidade destaca que o modelo de precificação do QAV, atrelado ao mercado internacional, mesmo com produção majoritariamente nacional, torna o setor vulnerável a choques externos. Essa política de preços impacta diretamente a capacidade das empresas de abrir novas rotas e aumentar a oferta de serviços, o que pode **restringir a conectividade nacional** e dificultar a democratização do transporte aéreo.
A situação surge em um momento de recordes no volume de passageiros, com demanda crescente por mais frequências e voos para novos destinos. Contudo, o aumento dos custos operacionais trabalha no sentido oposto, ameaçando a sustentabilidade do setor. Conforme informação divulgada pela Abear, a entidade tem defendido mecanismos para mitigar esses impactos e garantir o desenvolvimento do transporte aéreo.
Petrobras Adota Medida para Aliviar Carga Financeira do Setor Aéreo
Em resposta à pressão do setor, a Petrobras anunciou a possibilidade de um **cronograma escalonado de pagamento do reajuste** do QAV. As distribuidoras interessadas poderão aderir a um termo que permite o pagamento de um percentual menor do aumento em abril, com o restante parcelado em até seis vezes, a partir de julho. Essa iniciativa visa preservar a demanda e mitigar os efeitos do reajuste, conforme comunicado da estatal.
A Petrobras justificou a medida como uma forma de apoiar a saúde financeira de seus clientes, mantendo sua neutralidade financeira diante da alta internacional do petróleo. A proposta de parcelamento estará disponível para análise nos próximos dois meses, com parâmetros a serem definidos pela estatal. A expectativa é que essa ação contribua para o bom funcionamento do mercado de aviação comercial no Brasil.
Governo Avalia Medidas Tributárias para Reduzir Impacto do QAV
O governo federal também está em processo de estudo para **zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)** sobre empresas aéreas e reduzir as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre o QAV. A intenção é evitar um repasse integral do aumento do combustível para o preço das passagens, que pode chegar a 20%, segundo estimativas.
As empresas aéreas têm buscado alívio nos custos, e a tributação é um ponto crucial, visto que o combustível representa mais de 30% dos gastos operacionais. Com a desvalorização do real, a maior parte das despesas das companhias é em dólar, tornando o aumento do QAV um fator de pressão para reajustes tarifários. Medidas anteriores, como a elevação do IOF sobre transações no exterior e a progressão do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves, também são pontos de atenção para o setor.
Abear Representa Setor Aéreo em Diálogo por Soluções
As principais companhias aéreas brasileiras, Latam, Gol e Azul, optaram por não se pronunciar individualmente sobre o assunto. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) segue como porta-voz do setor, dialogando com órgãos governamentais e a Petrobras em busca de soluções que garantam a sustentabilidade e o crescimento da aviação comercial no país.
O setor aéreo busca um equilíbrio entre a necessidade de repassar custos e a manutenção da competitividade e da acessibilidade para os passageiros. A colaboração entre empresas, governo e fornecedores de combustível é fundamental para superar os desafios impostos pela volatilidade do mercado e garantir a continuidade da expansão dos voos no Brasil.