Guerra no Oriente Médio dispara inflação global: entenda os impactos em grandes economias
O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta sombrio sobre as consequências de longo prazo do conflito no Oriente Médio. A instabilidade na região tem o potencial de manter os preços em alta e frear o crescimento econômico mundial até 2026, especialmente se as exportações de petróleo, gás e fertilizantes continuarem restritas. Este cenário afeta diretamente as economias globais, com o aumento dos custos de energia e alimentos deixando cicatrizes duradouras.
Grandes importadores de energia na Ásia e Europa já sentem o peso do aumento nos custos de combustíveis e insumos. O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo e gás natural liquefeito mundial, torna-se um ponto crítico. Economias na África e Ásia, altamente dependentes de importações, enfrentam ainda mais dificuldades em garantir suprimentos, mesmo com os preços já elevados. Conforme informação divulgada pelo FMI e reportada pelo InfoMoney, países de todos os continentes podem ser impactados.
O aumento dos preços de commodities energéticas e a potencial escassez de fertilizantes devido à instabilidade no Oriente Médio geram preocupações generalizadas sobre a inflação. Acompanhe como essa situação já se reflete nos indicadores econômicos de algumas das maiores economias do mundo e as projeções para os próximos anos.
Brasil sente o impacto do petróleo e revisa projeções de juros
No Brasil, os alertas inflacionários ganharam força após a aceleração dos preços internacionais do petróleo em março. O boletim Focus do Banco Central já indica uma tendência de alta nas expectativas para o IPCA em 2026, com a projeção subindo para 4,31%. O IPCA-15 de março registrou 0,44%, mas a piora do cenário de preços, especialmente no diesel com alta de 3,77%, deve ser mais sentida no índice cheio divulgado pelo IBGE.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) da FGV/Ibre também voltou ao terreno positivo em março, com alta de 0,52%, impulsionado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo. Embora o mercado ainda espere cortes na taxa de juros, há uma tendência de revisões sobre o tamanho desses cortes até o final do ano. A instabilidade no Oriente Médio adiciona um fator de risco à política monetária brasileira.
Estados Unidos: gasolina acima de US$ 4 e temor de contágio nos alimentos
Nos Estados Unidos, a escalada dos preços da gasolina, que ultrapassou a marca de US$ 4 o galão pela primeira vez desde meados de 2022, reflete diretamente a alta do petróleo. Esse valor representa um aumento de 30% em relação aos preços antes do início do conflito. Com o diesel já acima de US$ 5, cresce o temor de um efeito cascata nos preços dos alimentos, uma vez que a escassez de fertilizantes é uma preocupação latente.
Embora o índice de preços ao consumidor (CPI) de março ainda não tenha sido divulgado, a expectativa é de aceleração. Projeções indicam que o índice PCE, outro indicador importante de preços, deve fechar o ano em 3,1%, acima da previsão anterior. A inflação de energia já mostra sinais de impacto, com a gasolina e o diesel servindo como termômetros para o consumidor americano.
Zona do Euro: inflação acelera e pressiona economias europeias
A inflação ao consumidor na zona do euro registrou uma aceleração significativa em março, atingindo 2,5%, contra 1,9% em fevereiro, segundo dados preliminares da Eurostat. Apesar do peso relativamente menor da energia no cálculo do CPI, a forte alta de 4,9% no mês passado deve influenciar outros setores, como o de alimentos. As principais economias do bloco, como Alemanha, França e Espanha, registraram aumentos notáveis em suas taxas de inflação.
Na Alemanha, os preços da energia registraram a primeira alta desde dezembro de 2023, com um aumento de 7,2% em relação ao ano anterior. Esse cenário de inflação crescente na Europa, impulsionado pelos custos energéticos, pode demandar respostas de política monetária, impactando as projeções de crescimento econômico da região. A dependência de importações de energia torna o bloco particularmente vulnerável a choques externos como o conflito no Oriente Médio.
China e Índia enfrentam pressões inflacionárias e desafios logísticos
A China, que já lidava com uma inflação ao consumidor de 1,3% em fevereiro, a maior em mais de três anos, agora enfrenta pressões adicionais. A volatilidade nos mercados de energia e metais elevou os custos de insumos e produção a máximas de quatro anos, segundo o PMI industrial. O Banco Popular da China (PBOC) alertou sobre o espaço limitado da política monetária para compensar a inflação “importada”, mas sinalizou que respostas serão necessárias caso os aumentos de preços se generalizem.
A Índia, um dos maiores importadores mundiais de petróleo e derivados, está particularmente exposta. Cerca de 45% do seu petróleo bruto, 60% do gás natural e mais de 90% do GLP vêm do Oriente Médio. Em meados de março, uma quantidade significativa desses produtos estava retida em embarcações aguardando passagem pelo Estreito de Ormuz. A inflação média projetada para o país asiático subiu para 4,1%, e há expectativas de enfraquecimento da moeda local.
Japão: inflação esperada acima da meta do Banco Central
No Japão, as expectativas de inflação entre as empresas aumentaram para 2,6%, segundo a pesquisa Tankan. Projeções de longo prazo indicam inflação acima da meta de 2% buscada pelo Banco do Japão (BoJ). O BoJ se encontra em uma posição delicada, pois a crise no Oriente Médio pode acelerar a inflação, levando muitos agentes do mercado a apostarem em um aumento da taxa de juros na próxima reunião, o que poderia prejudicar o crescimento econômico.
Relatórios recentes do BoJ indicam que a taxa de inflação subjacente do Japão pode enfrentar pressões de alta maiores do que no ano passado, devido ao avanço dos preços do petróleo e à desvalorização do iene. A combinação de choques externos e dinâmicas internas coloca o Japão em um cenário de incerteza econômica e inflacionária.