Operação Unha e Carne tem entre os alvos da operação deputados, delegados, inspetores e operadores financeiros, em apuração sobre vazamento de operações e rede de proteção ao crime
A 8ª fase da operação que investiga o suposto esquema conhecido como Unha e Carne resultou em prisões e em mandados contra agentes públicos e outros suspeitos.
Entre os detidos estão policiais civis e um parlamentar eleito nas eleições de 2026, o que amplia o alcance político e institucional das apurações.
De acordo com a PF, o esquema investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), conforme informação divulgada pela coluna.
Quem foram presos e quais foram os alvos da operação
Foram presos Márcio Canella, do partido União, eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio.
Também foram presos os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. O investigado Glaucio Paz da Silva foi alvo apenas de mandado de busca e apreensão.
Acusações, crimes apontados e dimensão financeira
A Polícia Federal informou que, além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
A investigação também destaca a dimensão financeira do esquema, com a PF afirmando que ele movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), informação que embasa medidas cautelares e buscas.
Contexto da investigação e atuação das forças-tarefa
Batizada de Unha e Carne, a operação foi iniciada em dezembro de 2025 para investigar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho, o CV.
Com o avanço das apurações, a Polícia Federal ampliou o foco da investigação e passou a apurar uma rede de proteção ao crime organizado, que incluiria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.
A ação desta quinta-feira faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela corporação para desarticular organizações criminosas atuantes no Rio de Janeiro, e segue diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, tema tratado em reunião da direção-geral da PF com o ministro Alexandre de Moraes em 6 de outubro.
O que vem a seguir nas investigações
A PF continuará a apurar responsabilidades e a origem dos recursos, e as prisões e mandados visam preservar a investigação e impedir a destruição de provas.
Fontes do processo e a própria Polícia Federal indicam que novos desdobramentos podem surgir à medida que sejam analisados documentos e movimentações financeiras identificadas no relatório do Coaf.