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Anbima prepara nova classificação para FIDCs e autorregulação para custódia de criptos, para clarificar estratégias, reduzir riscos e ampliar transparência a investidores

A Anbima anunciou que vai revisar a classificação dos fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs, e iniciar a discussão de um código de autorregulação para a custódia de moedas digitais.

A iniciativa busca tornar mais claras as estratégias de cada fundo, aumentar a transparência das carteiras e reduzir riscos para investidores que aplicam em crédito securitizado e em criptomoedas.

O movimento chega em um momento de forte expansão dos FIDCs e de maior atenção ao mercado de criptoativos, conforme informação divulgada pela Anbima.

Por que a nova classificação dos FIDCs

Segundo José Carlos Doherty, diretor-executivo da Anbima, “a ideia é deixar mais claras as estratégias de cada tipo de fundo para o investidor acompanhar melhor seu desempenho e permitir também a melhora na fiscalização das carteiras”, objetivo que deve facilitar a comparação entre produtos e a avaliação do risco de crédito.

O foco é permitir que o investidor entenda melhor que tipo de recebível está comprando via FIDCs, entre duplicatas, faturas de cartão de crédito e crédito consignado, e tenha informações mais precisas sobre prazos e amortizações.

Transparência nas carteiras, sugestões e dados

Especialistas levantam medidas práticas para aumentar a transparência. Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar, sugere, entre outras medidas, “a identificação completa dos diferentes tipos de cotas, que deveriam ser identificadas pelo código de negociação, código ISIN e código de subclasse da Comissão de Valores Mobiliários”, e que sejam informados os referenciais, os prazos de vencimento de cada classe ou série e outras características.

Marrucho também defende que “a carteira deveria também dar maior transparência para o lastro dos recebíveis, identificando explicitamente os cedentes e devedores e permitindo a análise do risco de crédito real” e que haja apuração e divulgação diária do valor da cota, assim como emissões, amortizações e resgates.

O interesse pelos FIDCs ficou evidente nos volumes recentes, as ofertas de FIDCs somaram R$ 7 bilhões apenas em janeiro, volume recorde para o mês, e 98,6% acima do valor registrado no mesmo período de 2025. Em contraste, as debêntures somaram R$ 26,9 bilhões, 5,8% menos que em janeiro de 2025, dados que mostram deslocamento de parte da demanda para crédito securitizado.

Autorregulação para custódia de criptos

A Anbima também vai começar a discutir um código de autorregulação para a atividade de custódia de moedas digitais. A proposta é definir regras básicas para empresas que querem trabalhar com a guarda de Bitcoin e outras criptomoedas, o que deve facilitar o uso desses ativos em fundos de investimento, conforme informado pela entidade.

Hoje, a ausência de uma regulação clara para custódia de criptoativos abre espaço para riscos e falta de segurança dos investidores, e a autorregulação busca elevar padrões de governança, controles de segurança e transparência nas transações entre investidores e fundos.

Riscos de mercado e presença dos criptoativos

O debate ocorre após volatilidade recente nos preços do Bitcoin, que teve forte queda, puxando outras moedas digitais. “O Bitcoin saiu da máxima histórica em 6 de outubro de US$ 126.279,63 para a mínima de US$ 60.062,00 em 6 de fevereiro. Hoje, a moeda é negociada a US$ 67.480,00”, números que ressaltam a necessidade de regras claras para custódia.

No Brasil, a presença do Bitcoin em fundos ainda é discreta, restrita a algumas carteiras especializadas e ETFs, mas a combinação entre maior interesse por crédito privado, e a busca por segurança em criptoativos, tende a acelerar a adoção de normas e práticas recomendadas, trazendo maior confiança a investidores.