Apenas 16% dos brasileiros não aposentados guardam dinheiro para a aposentadoria, revela pesquisa da Anbima. Poupança e títulos privados lideram, enquanto previdência privada tem apenas 7% das preferências.
A realidade financeira dos brasileiros em relação à aposentadoria é preocupante. Uma pesquisa recente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha, aponta que apenas 16% dos brasileiros que ainda não se aposentaram afirmam estar guardando dinheiro para esse fim.
O levantamento, que ouviu mais de 5.800 pessoas em todo o país, também destaca que, apesar de 57% dos entrevistados pretenderem começar a poupar, uma parcela significativa de 27% não tem essa intenção. Essa falta de preparo financeiro para o futuro chama a atenção, especialmente em um cenário de envelhecimento populacional e limitações da previdência pública.
A pesquisa, intitulada 9ª pesquisa Raio X do Investidor, foi realizada no final do ano passado e seus resultados indicam um desafio considerável para o planejamento financeiro da população brasileira. Conforme informação divulgada pela Anbima, o baixo percentual de poupadores para a aposentadoria e a preferência por produtos menos adequados para esse objetivo são pontos de atenção.
Jovens da Geração Z são os que menos poupam, mas demonstram maior interesse em começar
Ao analisar por faixa etária, a pesquisa da Anbima revela que a Geração Z, composta por jovens de 16 a 29 anos, é o grupo que menos tem guardado dinheiro para a aposentadoria, com apenas 12% já tendo iniciado o hábito. Em contrapartida, os Millennials (30 a 44 anos) e a Geração X (45 a 64 anos) apresentam um percentual maior, com 18% cada um.
No entanto, a perspectiva muda quando o assunto é a intenção de começar a poupar. A Geração Z lidera nesse quesito, com 66% dos jovens expressando o desejo de iniciar uma reserva para a aposentadoria. Os Millennials aparecem em seguida, com 58%, seguidos pela Geração X com 49% e os Boomers (acima de 65 anos) com 29%.
Poupança ainda é o destino preferido, mas previdência privada fica em penúltimo lugar
Quando o assunto é onde guardar o dinheiro para a aposentadoria, a caderneta de poupança se destaca como a escolha da maioria, com 32% dos entrevistados. Títulos privados aparecem em seguida, com 19%, e fundos de investimento com 16%. Curiosamente, as criptomoedas, com 12%, superam ações, títulos públicos e imóveis, que registram 8% cada.
O que mais chama a atenção, contudo, é a baixa adesão à previdência privada, produto tradicionalmente associado ao planejamento para a aposentadoria. Este instrumento aparece com apenas 7% das indicações, ficando em penúltimo lugar, à frente apenas das moedas estrangeiras (5%).
Dependência do INSS e o perfil imediatista dos brasileiros
Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, expressa preocupação com os dados, ressaltando a necessidade de tornar a previdência privada mais atrativa. Ele alerta para o fato de que 55% dos não aposentados acreditam que o INSS será sua principal fonte de renda, um número que chega a 91% entre os já aposentados.
Billi explica que essa percepção pode estar ligada às classes de menor renda, onde o benefício social se aproxima da renda ativa. Contudo, para as classes A e B, o teto do INSS é insuficiente para manter o padrão de vida, indicando um futuro problema para essas faixas de renda. A pesquisa também aponta que 53% da população tem um perfil mais imediatista em seus gastos, com a Geração X liderando esse comportamento.
Esse imediatismo é mais acentuado nas classes C (50%) e D/E (30%), e menor nas classes A/B (20%). Entre os brasileiros sem reservas financeiras, 59% se declaram imediatistas, enquanto entre aqueles que possuem apenas poupança, o índice é de 19%. Esses números reforçam a urgência de uma maior conscientização sobre a importância do planejamento financeiro de longo prazo para garantir uma aposentadoria tranquila.