James Quincey, presidente do conselho executivo da Coca-Cola, compara a escalada corporativa ao sombrio cenário de ‘Round 6’, destacando a sobrevivência como fator chave.
O caminho para o alto escalão de grandes corporações é frequentemente retratado como uma jornada de planejamento meticuloso e estratégia. No entanto, James Quincey, líder da Coca-Cola, apresenta uma visão distinta e mais brutal: a ascensão ao topo é, em grande parte, uma questão de **sobrevivência**.
Em entrevista recente à London Business School, Quincey comparou sua própria trajetória à popular série distópica da Netflix, ‘Round 6’. Ele sugere que chegar à liderança envolveu uma série de desafios, onde a persistência e a capacidade de se manter relevante foram cruciais para não ser eliminado.
Essas declarações surgem em um momento em que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional se tornou uma prioridade crescente para muitos trabalhadores, especialmente para a Geração Z. Quincey, contudo, adota uma postura mais cética em relação a essa dicotomia, enfatizando que o trabalho é parte integrante da vida.
O ‘Round 6’ corporativo: persistência como regra
Quincey, que ingressou na Coca-Cola em 1996, não possuía um plano rígido para se tornar CEO. Em vez disso, buscou oportunidades que o desafiassem, ocupando diversas posições de liderança, inclusive na América Latina, antes de assumir o comando da empresa em 2017. Ele deixou o cargo de CEO no final do mês passado para se dedicar integralmente à presidência do conselho.
Para o executivo, o segredo do sucesso corporativo não reside na perfeição, mas sim na **persistência**. Ele ressalta que ninguém alcança posições de destaque sendo apenas um participante passivo; é preciso **se destacar** em cada função, assumindo riscos e aceitando que nem todas as apostas serão bem-sucedidas.
Equilíbrio entre vida e trabalho: uma visão cética
A filosofia de Quincey estende-se para além do ambiente de trabalho, onde ele expressa ceticismo em relação ao conceito de equilíbrio entre vida e trabalho. Ele descreve essa ideia como uma forma enganosa de encarar as carreiras, argumentando que o trabalho é, intrinsecamente, uma parte da vida.
“O trabalho faz parte da vida, não é algo separado”, afirmou Quincey. “Você precisa escolher como quer investir sua vida, e essa combinação pode mudar ao longo do tempo. Mas a escolha é sempre sua.” Essa abordagem sugere que as decisões de investimento de tempo tomadas hoje podem moldar oportunidades futuras.
Prioridades no topo: a estratégia de Quincey
Mesmo no ápice da carreira, a capacidade de definir prioridades de forma estratégica torna-se ainda mais vital. Quincey, de 61 anos, revela sua rotina matinal pouco convencional para otimizar o foco: ele acorda devagar, toma café e café da manhã com calma, e evita preencher seu dia com excesso de reuniões.
Ele aconselha jovens profissionais a buscarem atividades que os motivem diariamente. “Não há trabalho mais difícil do que aquele que você não quer fazer”, concluiu o executivo.
Essas perspectivas contrastam com dados recentes, como o relatório Workmonitor de 2025 da Randstad, que aponta o equilíbrio entre vida e trabalho como o principal fator para talentos ao considerar empregos, superando o salário pela primeira vez em 22 anos. Uma pesquisa da KPMG com estagiários da Geração Z indicou que eles estariam dispostos a abrir mão de cerca de US$ 5.000 anuais em salário por um melhor equilíbrio.