Aposentados com múltiplas fontes de renda: como aplicar a isenção do Imposto de Renda 2026 sem erros
Receber aposentadoria de mais de uma fonte pagadora é uma realidade comum para muitos brasileiros, especialmente aqueles que construíram carreiras com diversas passagens profissionais. Contudo, na hora de acertar as contas com o Leão, essa situação frequentemente gera dúvidas, particularmente sobre a aplicação da isenção para maiores de 65 anos.
A principal regra, segundo especialistas, é que a isenção não é individual por fonte pagadora, mas sim global. Isso significa que o limite de isenção deve ser considerado sobre o total de rendimentos, e não multiplicado pelo número de fontes. Ignorar essa diretriz pode levar a inconsistências na declaração.
Um leitor com 66 anos, que recebe aposentadoria de três fontes, questionou se poderia aproveitar três abatimentos, cada um com o valor isento de R$ 22.847,76 mais o 13º salário de R$ 1.903,98. A resposta dos especialistas, conforme divulgado pelo InfoMoney, é clara: a isenção é única e não se multiplica. O limite total para 2025, incluindo o 13º salário, é de R$ 24.751,74.
Como declarar a isenção de forma prática
Para facilitar o processo na declaração do Imposto de Renda 2026, o contribuinte tem a opção de concentrar toda a isenção em apenas uma das aposentadorias. Nesse cenário, o valor isento deve ser informado na ficha de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, utilizando o código 10. É fundamental preencher corretamente o CNPJ e os dados da fonte pagadora escolhida.
Qualquer valor que ultrapasse o limite de isenção estabelecido pela Receita Federal deve ser lançado como rendimento tributável. As demais aposentadorias, que não foram utilizadas para abater o valor isento, precisam ser declaradas integralmente na ficha de “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”.
Talissa Koerbel, advogada no escritório ABE Advogados, ressalta que a Receita Federal soma todos os rendimentos. Cada fonte pagadora realiza a retenção de tributos de forma isolada, mas a declaração final consolida esses valores. Isso pode resultar em um saldo de imposto a pagar, caso a soma dos rendimentos eleve a alíquota aplicável pela tabela progressiva do IRPF. Pagamentos já realizados, se dedutíveis, podem ser compensados.
Dividir a isenção entre as fontes: uma opção mais trabalhosa
Embora seja possível dividir o valor total da isenção entre as diferentes fontes pagadoras, essa estratégia tende a ser mais trabalhosa. O contribuinte precisará repartir proporcionalmente o valor isento em cada uma das fontes na ficha de rendimentos isentos.
Essa divisão exige o cálculo manual da parcela tributável de cada rendimento e o preenchimento das fichas correspondentes mais de uma vez. Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei, afirma que ambas as formas de declarar são válidas, e a escolha dependerá do que for mais prático para o contribuinte.
Um equívoco frequente é tentar aplicar o limite de isenção separadamente em cada fonte pagadora. Isso pode gerar inconsistências e, consequentemente, levar o contribuinte para a malha fina. A Receita Federal realiza um cruzamento de dados, e as fontes informam diretamente ao Fisco os valores pagos, facilitando a identificação de divergências.
Fique atento para evitar a malha fina
A chave para uma declaração sem problemas é entender que a isenção para aposentados com mais de 65 anos é única e global. O limite de R$ 24.751,74 em 2025, que inclui o 13º salário, deve ser administrado com cuidado. Tentar multiplicar esse valor pelas fontes pagadoras é um erro comum que pode custar caro.
A Receita Federal cruza as informações fornecidas pelas fontes pagadoras com os dados declarados pelo contribuinte. Portanto, qualquer divergência, como a aplicação incorreta da isenção, será facilmente detectada. Para evitar dores de cabeça, é recomendável buscar orientação especializada ou seguir as dicas dos especialistas para uma declaração correta e segura.