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Arthur Lira dispara patrimônio: De R$ 7 milhões para R$ 25 milhões em um ano, registra candidatura ao Senado em Alagoas

Arthur Lira registra candidatura ao Senado e declara patrimônio triplicado em R$ 25 milhões

O cenário político de Alagoas ganhou um novo capítulo com a confirmação da candidatura de Arthur Lira (PP) ao Senado. A decisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados ocorreu após o ex-prefeito JHC anunciar sua disputa pelo governo do estado, definindo assim o movimento das peças no tabuleiro eleitoral.

A declaração de bens apresentada por Arthur Lira à Justiça Eleitoral chamou atenção: o político declarou um patrimônio de R$ 25 milhões. Este valor representa um aumento expressivo de 265% em relação aos R$ 7 milhões informados em 2022, um crescimento que supera o triplo do valor declarado anteriormente.

Entre os novos bens que compõem a declaração de Arthur Lira, destacam-se imóveis de alto valor. Uma propriedade rural em Quipapá, Pernambuco, foi registrada com valor de R$ 3,6 milhões, enquanto uma casa em Brasília foi declarada por R$ 2,1 milhões. Ambos os imóveis foram informados como financiados.

Valores a receber e disputas judiciais marcam a declaração de Lira

Um dos pontos que geraram maior interesse na declaração de patrimônio de Arthur Lira foram os dois valores indicados a receber. Somando cerca de R$ 6,8 milhões e R$ 2,5 milhões, respectivamente, esses montantes estariam ligados a uma disputa judicial relacionada a imposto de herança, adicionando um elemento de complexidade às finanças do candidato.

No momento do registro oficial das candidaturas, o cenário eleitoral para o governo do estado contava com Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata). Para o Senado, além de Arthur Lira, Alexandre Fleming (UP), Davi Davino Filho (Republicanos) e Mariedson (Democrata) já haviam oficializado suas candidaturas, com o prazo final se encerrando às 19h.

É importante notar que o grupo político adversário de Arthur Lira, formado por Renan Filho (MDB) e Renan Calheiros (MDB), ainda não aparece no portal de divulgação da Justiça Eleitoral, o que adiciona um elemento de incerteza à composição completa das chapas.

A estratégia política de JHC e a pressão dos adversários

A decisão de JHC em concorrer ao governo do estado, em vez do Senado, tem sido analisada por diferentes forças políticas em Alagoas. Segundo o colunista do GLOBO, Lauro Jardim, JHC havia sinalizado previamente sua intenção de disputar uma vaga no Senado, mas mudou de estratégia. A família Calheiros, apoiada por Lula, também busca uma vaga no Senado, e a escolha de JHC evita um confronto direto com Arthur Lira.

A avaliação geral é que JHC poderia ter mais chances de vitória em uma disputa pelo Senado, onde Alagoas elegerá dois representantes em 2026, do que na corrida pelo governo estadual, que elegerá apenas um governador. No entanto, JHC demonstra competitividade em ambos os cenários.

A trajetória política de JHC tem sido marcada por indefinições. No ano passado, ainda filiado ao PL, JHC teria fechado um acordo com o presidente Lula para disputar uma das vagas ao Senado neste ano, com Renan Filho como favorito para retornar ao governo do estado. Contudo, JHC deixou o PL no final de março, após desentendimentos sobre a formação de sua chapa, e passou a presidir o diretório local do PSDB.

Recentemente, Flávio Bolsonaro sugeriu que Marina Candia, esposa de JHC, concorresse ao Senado ao lado de Arthur Lira. Embora essa sugestão tenha agradado a JHC e se confirmado, Lira a vê como prejudicial aos seus planos, por aumentar a concorrência.

Investigação da PF e o empréstimo milionário para Maceió

Interlocutores de Arthur Lira e de Lula têm demonstrado irritação com JHC nos bastidores. Além das questões eleitorais, o ex-prefeito enfrenta a pressão de uma investigação da Polícia Federal sobre aportes do capital alagoano no Banco Master durante sua gestão.

Na última segunda-feira, a PF deflagrou uma operação para apurar o que levou o instituto de previdência de Maceió a comprar R$ 97 milhões em papéis do Master, que posteriormente foi liquidado por gestão fraudulenta. No mesmo dia, JHC se reuniu com Lula em Brasília, segundo relatos de interlocutores de ambos os políticos.

Dois dias após a operação da PF, o Senado aprovou uma mensagem presidencial enviada por Lula, autorizando a prefeitura de Maceió a contrair um empréstimo de US$ 150 milhões com o Banco dos Brics. A mensagem, relatada por Eudócia Caldas, foi associada à implantação de um corredor BRT e 450 novos ônibus, um projeto que foi uma das vitrines da gestão de JHC em Maceió.

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