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Banco Popular da China reduz reserva de risco para 0% para conter avanço do yuan, medida visa baratear compra do dólar e preservar estabilidade cambial

Banco Popular da China adota medida para reduzir o custo de apostar contra o yuan, em ação que busca conter valorização e manter a taxa de câmbio em nível equilibrado

O Banco Popular da China anunciou uma mudança nas regras para operações de câmbio a termo, numa tentativa direta de conter o recente fortalecimento do yuan.

A autoridade informou que diminuirá a taxa de reserva de risco para instituições financeiras que realizam operações de câmbio a termo de 20% para zero, tornando, na prática, mais barata a compra do dólar.

Segundo as informações oficiais, a mudança entrará em vigor no dia 2, como parte de esforços para manter a taxa de câmbio do yuan estável em um nível razoável e equilibrado, conforme informação divulgada pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, com base em Dow Jones Newswires.

O que exatamente mudou

Atualmente, bancos chineses precisam de uma reserva de risco de 20% em negociações de moeda a termo. A exigência, implementada em setembro de 2022, foi uma resposta ao período em que o yuan sofreu pressões por causa do fortalecimento do dólar e da desaceleração econômica.

Com a redução para zero, a operação de comprar dólares via contratos a termo fica mais barata, o que tende a aumentar a oferta de dólares e, assim, aliviar a valorização do yuan no curto prazo.

Reação dos mercados e números

Após o anúncio, o yuan perdeu força, depois de se fortalecer por dez sessões consecutivas e alcançar níveis mais altos ante o dólar em quase três anos. A moeda americana avançava cerca de 0,1% em relação ao yuan onshore, para 6,86 yuan, ao meio-dia desta sexta, pelo horário local.

A referência diária do PBoC para o dólar contra o yuan permaneceu inalterada em 6,9228, acima da estimativa mediana de 6,8435, de acordo com o Maybank, mostram os dados reportados.

Motivações e riscos

Embora Pequim tenha sinalizado mais tolerância para um yuan mais forte em momentos recentes, autoridades também alertaram contra flutuações cambiais bruscas que podem prejudicar exportadores.

Para limitar oscilações, o regulador já restringe a variação diária por meio das chamadas fixaçõess diárias, que limitam as oscilações a 2% para cima ou para baixo por sessão, e agora recorre à redução da reserva de risco para controlar pressões de valorização.

O que acompanhar nos próximos dias

Analistas e operadores devem observar, além do impacto imediato no mercado a termo, se a medida reduzirá a pressão de alta sobre o yuan de forma sustentada, e como exportadores e bancos vão ajustar posições.

A redução da exigência de reserva é uma ferramenta tradicional do PBoC para modular o custo de apostas contra a moeda, portanto, o efeito sobre fluxos cambiais e sobre a política monetária chinesa será monitorado de perto pelos mercados internacionais.