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Bancos Digitais: Inclusão Financeira Dispara, Mas Inadimplência Atinge Picos Históricos no Brasil

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Neobanks ampliam crédito e inclusão, mas enfrentam alta da inadimplência no Brasil

Os bancos digitais, também conhecidos como neobanks, transformaram o cenário financeiro brasileiro, abrindo portas para milhões de cidadãos que antes estavam à margem do sistema. Essa revolução na concessão de crédito, no entanto, trouxe consigo um desafio crescente: a inadimplência.

Um estudo recente da Equifax BoaVista, intitulado “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026”, analisou mais de 165 milhões de CPFs entre 2021 e 2025, revelando dados impactantes sobre essa dualidade. A inclusão financeira bateu recordes, mas os índices de endividamento preocupam.

Esses números evidenciam a complexidade da expansão dos neobanks e os desafios que eles e seus clientes enfrentam. Acompanhe os detalhes dessa transformação e seus desdobramentos.

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Expansão Recorde e Inclusão Financeira sem Precedentes

Os bancos digitais foram responsáveis por incluir cerca de 61 milhões de brasileiros no sistema bancário. Segundo o estudo da Equifax BoaVista, esses neobanks atendem com exclusividade 47,1% dos brasileiros com cartão de crédito e 51,8% com empréstimo pessoal. Um marco histórico na democratização do acesso ao crédito.

O crescimento acelerado de 360% no saldo ativo dos neobanks foi impulsionado pela concessão de crédito a consumidores sem histórico bancário. Em 2025, 41,4% dos cartões emitidos por bancos digitais foram o primeiro cartão de crédito de seus usuários, contrastando com apenas 4,9% nos bancos tradicionais. Silvio Santana, vice-presidente comercial de Key Accounts da Equifax, destaca que a redução de barreiras, como a abertura de conta em minutos pelo celular, acelerou essa expansão, especialmente durante a pandemia.

Marcos Coque, diretor de Analytics da Equifax BoaVista, explica que o foco dos neobanks em pessoas fora do sistema financeiro tradicional forçou os bancos convencionais a inovar. Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), reforça que essa expansão tornou o crédito acessível a grupos historicamente excluídos, sendo crucial para o desenvolvimento econômico do país.

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O Custo da Inclusão: A Alta da Inadimplência

A mesma agilidade que ampliou o acesso ao crédito também elevou o risco nas carteiras dos bancos digitais. A taxa de inadimplência em cartões de crédito nos neobanks saltou de 7,71% em 2021 para 20,31% em 2025. No mesmo período, enquanto a base de clientes cresceu 14,95%, o número de inadimplentes avançou alarmantes 163,33%.

No empréstimo pessoal, o cenário é similar. A taxa de inadimplência entre clientes de bancos digitais passou de 6,55% para 13,93% entre 2021 e 2025. Apenas entre 2024 e 2025, o número de inadimplentes aumentou 42%, superando o crescimento da base de clientes, que foi de 32,7%.

Especialistas apontam que essa alta inadimplência reflete o perfil dos consumidores atendidos, que muitas vezes possuem menor renda e pouca experiência com produtos financeiros. Gamboa observa que os neobanks assumiram um risco que os bancos tradicionais historicamente evitavam. No entanto, Marcos Coque ressalta que parte dessas instituições já estava preparada para esse risco, utilizando dados para acompanhar o comportamento do cliente.

É importante notar que, apesar dos números, a maioria dos clientes está em dia. Coque destaca que de cinco clientes, apenas um está inadimplente (20%), indicando que a maioria das pessoas incluídas no sistema bancário está cumprindo suas obrigações.

Desafios Futuros: Equilíbrio entre Acesso e Sustentabilidade

O grande desafio para os próximos anos será equilibrar a ampliação do crédito com a sustentabilidade das carteiras. Ana Paula Fontana, diretora comercial da Equifax BoaVista, enfatiza a necessidade de acompanhar a inclusão financeira com educação financeira e ferramentas que promovam o uso saudável do crédito.

Consumidores de baixa renda apresentam taxas de inadimplência ainda mais elevadas. No cartão de crédito, esse grupo viu a inadimplência saltar de aproximadamente 9,5% para 33% entre 2021 e 2025. No empréstimo pessoal, o índice passou de pouco mais de 8% para 25%. Especialistas atribuem parte disso à curva de aprendizado de um público que acessa crédito pela primeira vez.

Apesar da ascensão dos bancos digitais, os consumidores ainda associam os bancos tradicionais à segurança e estabilidade. Uma pesquisa indica que 66,9% dos brasileiros acreditam que instituições tradicionais estão mais preparadas para crises. Isso aponta para um modelo híbrido, onde os bancos digitais são usados para crédito e conveniência, enquanto os tradicionais mantêm espaço para investimentos e produtos de maior segurança.

A avaliação predominante é que a fase de expansão acelerada dos bancos digitais foi bem-sucedida, mas o próximo passo é aprimorar a qualidade da concessão de crédito. Coque prevê que o futuro exigirá sistemas capazes de integrar dados financeiros e não financeiros para avaliações mais precisas e concessões mais responsáveis. O sucesso futuro dos neobanks não será medido apenas pela quantidade de clientes, mas pela capacidade de transformar inclusão financeira em um relacionamento sustentável de longo prazo, fundamental para o desenvolvimento econômico e social, especialmente para a população de baixa renda.

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