A Block, empresa de tecnologia financeira do cofundador Jack Dorsey, anunciou uma demissão em massa que reduzirá quase pela metade sua equipe, em uma mudança estratégica voltada à adoção da inteligência artificial.
A decisão faz parte de um movimento mais amplo de reestruturação e de investimentos em ferramentas de IA, incluindo o desenvolvimento da solução interna chamada Goose, para aumentar eficiência e produtividade.
A companhia também destacou resultados financeiros de 2025 que justificam a reorganização, com crescimento do lucro bruto e expansão de produtos como o Cash App e a Square, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
Cortes, justificativa e impacto interno
A Block informou que vai demitir aproximadamente 4.000 funcionários, e que avisos foram entregues aos empregados na própria quinta-feira em que o anúncio foi feito aos acionistas.
Segundo a diretora financeira, Amrita Ahuja, “Estamos tomando uma decisão ousada e bastante dura, mas fazemos isso a partir de uma posição de força”, e a executiva acrescentou que “Estamos nos reorganizando de um jeito que, na nossa visão, vai permitir que a companhia se mova ainda mais rápido para atender os clientes”.
O corte acontece após uma sequência de demissões pontuais que já vinham ocorrendo desde 2024, muitas relacionadas a avaliações anuais de desempenho, e tem o objetivo declarado de alinhar a estrutura da empresa com a nova fase tecnológica.
Investimento em IA e o papel do Goose
A Block está apostando que a inteligência artificial vai redesenhar o futuro da produtividade no trabalho, e a estratégia inclui tanto cortes de custos quanto aplicação de capital em ferramentas de automação.
Entre as iniciativas internas está o desenvolvimento do Goose, plataforma própria de IA, que a empresa espera usar para escalar produtos, automatizar processos e reduzir fricções operacionais, com o objetivo de acelerar o atendimento ao cliente.
Jack Dorsey escreveu que não acredita que a Block esteja sozinha nessa percepção do impacto da IA, “Acho que a maioria das empresas é que está atrasada. Dentro de um ano, acredito que boa parte delas vai chegar à mesma conclusão e promover mudanças estruturais parecidas. Prefiro chegar lá de forma transparente e nos nossos próprios termos, em vez de ser empurrado para isso de maneira reativa”.
Resultados financeiros e reação do mercado
No comunicado aos acionistas, a Block destacou o desempenho de 2025, com um crescimento do lucro bruto que mais que dobrou entre o primeiro e o quarto trimestre, e registrou lucro bruto de US$ 10,36 bilhões, alta de 17% em relação ao ano anterior.
O anúncio das demissões foi bem recebido por investidores, e as ações da Block chegaram a subir 22% nas negociações após o fechamento do pregão, um sinal de que o mercado enxergou a reestruturação como positiva para a lucratividade futura.
Executivos afirmam que a empresa acelerou o crescimento da base de usuários do app Cash App, ampliou a escala dos produtos de crédito e impulsionou o volume processado pela Square, fatores que embasam a aposta em reorganização e IA.
Perspectiva do setor e tendências
O movimento da Block é visto como um exemplo do efeito mais amplo que ferramentas de IA estão tendo na economia, levando empresas a reavaliar modelos de negócio, enxugar quadros e reestruturar operações para ganhar eficiência.
A direção da Block aposta em se antecipar a mudanças estruturais, em vez de reagir de forma forçada no futuro, e espera que outras companhias cheguem a decisões semelhantes à medida que a adoção de IA avança.
Conforme a empresa e analistas, a combinação entre cortes e investimentos em tecnologia deve redesenhar processos e produtos, mas também traz desafios humanos e regulatórios que o mercado ainda vai debater nos próximos meses.