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Efeito HALO, o que é e por que 10 ações brasileiras pé no chão podem se valorizar com ativos físicos e baixa obsolescência frente à IA

Como o efeito HALO, empresas com alta intensidade de ativos e baixa obsolescência, pode beneficiar 10 ações brasileiras consideradas mais resilientes ao avanço da IA

O movimento de euforia com inteligência artificial deu lugar a uma triagem mais rigorosa entre investidores, e nomes ligados à tecnologia passaram por reavaliação diante do risco de automação e compressão de margens.

Na contramão, surgiu com força o conceito de efeito HALO, sigla para High Assets, Low Obsolescence, que privilegia empresas com muitos ativos físicos e menor probabilidade de desaparecer por conta da IA.

Essa mudança de fluxo tende a favorecer setores como energia, utilities e concessões, que compõem fatia relevante da Bolsa brasileira, segundo análises do mercado.

conforme informação divulgada pelo Santander

O que é o efeito HALO e por que importa

O efeito HALO descreve uma preferência por negócios com grande base de ativos tangíveis e baixa vulnerabilidade à substituição por ferramentas de IA.

A preocupação, explicam analistas, está concentrada em software e serviços, pois se ferramentas de IA reduzirem o custo de desenvolver e escalar aplicações, as barreiras de entrada caem, elevando o risco de substituição e compressão de margens.

Na visão do mercado, realocar capital de nomes digitais congestionados para ativos mais duráveis reduz a exposição à disrupção, e é isso que o indicador HALO busca capturar.

Como o Santander avalia a Bolsa brasileira

O Santander criou um ranking setorial que privilegia empresas com maior intensidade de ativos, menor vulnerabilidade de receita à IA, risco reduzido de desintermediação e barreiras regulatórias ou de capital.

Aplicando o indicador aos principais índices globais, o banco aponta que o Ibovespa e o MSCI Brazil aparecem entre os mercados com melhor combinação de pontuação HALO e múltiplos mais baixos, o que pode atrair realocação de fluxo.

O banco afirma que “À medida que o posicionamento é desmontado em nomes digitais congestionados e realocado para ativos mais duráveis, esperamos que exposições HALO, particularmente em mercados emergentes intensivos em ativos, apresentem desempenho relativo superior”, traduzindo a tese de proteção contra obsolescência.

Quais são as 10 ações brasileiras citadas

Com base na metodologia, o Santander montou uma cesta de papéis brasileiros alinhados à tese HALO. Entre os nomes citados estão AXIA3, CSMG3, ORVR3, BRAV3, PRIO3, CYRE3, DIRR3, VIVT3.

Essas empresas atuam principalmente em energia, materiais, concessões e utilities, setores que demandam grandes investimentos em ativos físicos e costumam ter receitas mais estáveis e contratuais, o que reduz a exposição a choques de automação cognitiva.

Riscos que podem reverter a preferência por HALO

O Santander também aponta cenários que podem inverter o movimento. O principal risco é se a IA se mostrar predominantemente geradora de produtividade, em vez de destruidora de margens, o que poderia trazer de volta o apetite por ações de crescimento e modelos escaláveis.

Além disso, queda de juros reais, melhora de liquidez global e maior apetite a risco tenderiam a favorecer ativos de maior duração, reduzindo o atrativo relativo da tese HALO.

O banco afirma ainda, em relação ao ajuste de mercado, “Não acreditamos que seja um êxodo do crescimento, É mais uma recalibração”, destacando que a mudança é de alocação e não necessariamente de exclusão dos temas de crescimento.

Em paralelo, executivos do setor tecnológico também relativizaram temores, com o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmando que “o temor não está correto porque a IA, em tese, trabalhará junto com esses softwares”, apontando para um cenário de complementaridade, e não de substituição automática.

Para investidores, a lição é que a estratégia HALO oferece uma forma de proteção contra riscos de obsolescência, mas precisa ser acompanhada de monitoramento macro, de liquidez e do impacto real da IA na produtividade das empresas.