Santander promete um banco mais enxuto e digital, com foco em redução de custos, eficiência e expansão nos EUA, Reino Unido e Espanha
A presidente-executiva Ana Botín vai tentar convencer investidores de que a aposta na digitalização do Santander é o caminho para reduzir custos e acelerar a integração das aquisições recentes.
O plano será apresentado em um encontro com investidores, em que a direção deve detalhar como a digitalização ajudará a simplificar a estrutura do banco e a elevar a eficiência operacional.
As informações sobre a estratégia foram divulgadas por fontes à imprensa, conforme informação divulgada pela Reuters.
Compras recentes e reforço nos EUA
O Santander fechou um acordo de US$ 12,2 bilhões no início deste mês para comprar o banco norte-americano Webster, movimento que fortalece os Estados Unidos como um dos três mercados principais do grupo, ao lado da Espanha e do Reino Unido.
A aquisição sucede o acordo para comprar o TSB britânico no ano passado e, segundo investidores, é um passo essencial para cumprir a promessa de longo prazo de Botín de simplificar a estrutura do banco.
Desde meados de 2025, o banco gastou mais de US$15 bilhões em aquisições para impulsionar o crescimento e corrigir o desempenho de unidades que vinham abaixo do esperado.
Meta de rentabilidade e corte de custos
Botín também apresentará planos para aumentar o índice de rentabilidade do Santander para acima de 20% até 2028, partindo dos atuais 16,3%. A meta faz parte do esforço por uma instituição mais enxuta e rentável.
Fontes próximas à estratégia disseram que o dia do investidor estará centrado na redução de custos e no aumento da eficiência, setor que ainda é visto como um “trabalho inacabado” em comparação com rivais, como o BBVA.
Impacto no mercado e avaliação do banco
Os resultados recentes ajudaram as ações do Santander a dispararem cerca de 80% no último ano, com lucros recordes e maior crescimento em mercados como a Espanha.
O banco, agora avaliado em quase 160 bilhões de euros, ultrapassou o UBS como o maior credor em valor de mercado na Europa continental.
Ainda assim, as ações são negociadas a 1,56 vez o valor patrimonial, indicador que mostra que investidores seguem cautelosos apesar da valorização e das iniciativas anunciadas.
Vozes do mercado e próximos passos
Investidores e analistas dizem que a combinação de aquisições e digitalização pode transformar o Santander em um player relevante nos EUA, e não apenas em alguém que “flerta com os EUA”. Sobre a trajetória, Filippo Alloatti, chefe da área financeira da Federated Hermes e investidor em títulos do Santander, afirmou, ‘Ela ainda tem um longo caminho a percorrer, mas… é um ponto de partida muito forte’.
A apresentação de Botín deverá detalhar como a digitalização do Santander permitirá cortar despesas, integrar sistemas e elevar a produtividade, pontos vistos como cruciais para atingir a meta de rentabilidade e justificar as grandes compras recentes.
O foco agora é demonstrar resultados concretos de eficiência nos próximos trimestres, enquanto o mercado avalia se a estratégia de aquisições e tecnologia vai superar riscos como flutuações cambiais e desafios operacionais em diferentes regiões.