Risco de ‘imposto inflacionário’, juros reais baixos e dívida em alta podem reduzir o poder de compra de quem concentra carteira no CDI, alerta XP
A XP chamou atenção para um cenário em que governos, diante de déficits e dívida pública elevados, podem tolerar inflação mais alta e manter juros artificialmente baixos, com impacto direto em investimentos em renda fixa pós-fixada.
Esse conjunto de medidas, conhecido como repressão financeira, permite que a inflação corroa gradualmente o valor real da dívida, e indiretamente transfere custos para a população e para os investidores.
Para a XP, isso aumenta a chance de um imposto inflacionário sobre aplicações que rendem nominalmente, especialmente para quem concentra tudo em CDI, conforme análise da XP.
O que é repressão financeira e como surge o ‘imposto inflacionário’
A repressão financeira envolve limitar taxas de juros e criar demanda cativa por títulos públicos, enquanto a inflação fica acima do esperado, reduzindo o valor real da dívida ao longo do tempo, segundo a XP. Nesse ambiente, o efeito é uma perda silenciosa do poder de compra mesmo quando aplicações crescem em termos nominais.
O time de alocação da XP, liderado pelo CIO Artur Wichmann, avalia que o cenário global, especialmente nos Estados Unidos, eleva a probabilidade de juros reais baixos ou negativos por períodos prolongados, o que reforça esse risco.
Três riscos de investir tudo em CDI
A XP destaca três pontos principais que podem penalizar o investidor conservador que concentra recursos apenas em pós-fixados atrelados ao CDI. O primeiro é a diferença entre ganho nominal e ganho real, porque, em um ambiente de dívidas elevadas, cresce o incentivo para tolerar inflação mais alta, o que pode corroer a rentabilidade real depois de descontados inflação e impostos.
O segundo é o risco de ciclo, pois quando os juros recuam, o CDI tende a cair, e quem demora a diversificar pode perder oportunidades em outras classes que oferecem maior retorno real no longo prazo. O terceiro é a concentração, já que um portfólio apoiado apenas em pós-fixados fica menos robusto e com menos fontes de retorno, além de não contar com diversificação internacional.
Nas palavras da equipe da XP, “O CDI atual é atrativo, de fato, mas não é exatamente o que muitos pensam”. A equipe alerta também que, “O que parece suficiente hoje pode não preservar poder de compra amanhã, e, pior, pode nos levar a ignorar custos de oportunidade e concentração excessiva”.
Alternativa, ativos reais e a recomendação de diversificação
Diante da perspectiva de juros reais baixos, a XP recomenda considerar ativos reais, como imóveis, infraestrutura e ouro, que não podem ser ‘impressos’ com a mesma facilidade que títulos nominais, e podem proteger o patrimônio contra perda de poder de compra.
A casa ressalta que essa proteção tem custo, pois ativos reais costumam ter maior volatilidade, e que o CDI continua sendo parte importante da carteira, especialmente como núcleo defensivo por oferecer liquidez e reduzir volatilidade, mas não é toda a resposta.
A recomendação central é “diversificar de verdade”, combinando ativos brasileiros e internacionais, pós-fixados, indexados à inflação e prefixados, além de ativos reais e fontes de crescimento, reduzindo assim o risco de um eventual imposto inflacionário sobre rentabilidades nominais.