JPMorgan revisa projeções e aponta para desaceleração econômica no Brasil a partir do segundo trimestre de 2026, com Selic sob vigilância.
O Brasil iniciou o ano de 2026 com um desempenho econômico surpreendentemente positivo, o que levou o banco JPMorgan a ajustar suas previsões de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB). A atividade nos primeiros meses do ano superou as expectativas, indicando uma força inicial que contrasta com projeções futuras de moderação.
Dados do primeiro trimestre apontam para um crescimento anualizado de 3,6% na comparação trimestral, superando a estimativa anterior de 2,8%. Esse avanço é impulsionado principalmente pela indústria, varejo e setor de serviços, demonstrando uma recuperação robusta nesses segmentos cruciais para a economia brasileira.
Apesar do otimismo inicial, o JPMorgan ressalta que essa melhora é, em grande parte, um reflexo do carregamento estatístico do início do ano, e não necessariamente de uma melhora estrutural duradoura. A análise do banco, divulgada em sua mais recente avaliação econômica, sugere que o ritmo de crescimento tende a diminuir nos próximos meses, exigindo atenção redobrada dos agentes econômicos e do governo.
Desempenho robusto no início de 2026 impulsiona projeções, mas com ressalvas
O primeiro trimestre de 2026 apresentou números animadores para a economia brasileira. Segundo análise do JPMorgan, o PIB deve registrar um crescimento anualizado de 3,6% na comparação trimestral, superando a previsão anterior de 2,8%. Este resultado positivo é sustentado por uma performance mais forte da **indústria**, **varejo** e **serviços** nos primeiros meses do ano.
Entre janeiro e fevereiro, a produção industrial acumulou alta de 3%, as vendas no varejo subiram 2% e o setor de serviços avançou 0,2%. Destaque especial foi dado aos serviços prestados às famílias. Esses dados levaram o JPMorgan a elevar a projeção de crescimento do PIB de 2026 em 0,2 ponto percentual, para **1,5% na comparação anual**.
Contudo, o banco enfatiza que essa revisão positiva é explicada quase integralmente pelo **efeito de carregamento estatístico** do primeiro trimestre. O JPMorgan não observa uma melhora estrutural consistente no cenário econômico ao longo do ano, indicando que o fôlego inicial pode não se sustentar.
JPMorgan projeta desaceleração e aponta desafios para o restante de 2026
Apesar do início promissor, a perspectiva do JPMorgan para o restante de 2026 é de **desaceleração econômica**. O banco prevê que o ritmo de crescimento tende a diminuir a partir do segundo trimestre, com o segundo semestre apresentando um desempenho abaixo do potencial.
Diversos fatores contribuem para essa projeção mais cautelosa. Entre eles, o JPMorgan destaca a **deterioração das margens do setor corporativo**, o **aumento dos custos de insumos** e **condições financeiras mais apertadas**. A instabilidade global, como os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais de energia, agrava o cenário.
Política monetária sob pressão: Selic pode ter cortes menores e mais lentos
O cenário econômico mais desafiador também tem implicações diretas para a **política monetária** brasileira. Diante de pressões inflacionárias no curto prazo e de uma atividade econômica ainda resiliente, o JPMorgan espera uma postura mais cautelosa por parte do Banco Central.
A projeção para o próximo movimento da taxa Selic foi revisada. O banco agora espera uma redução de **25 pontos-base** em abril e novamente em junho, em vez dos 50 pontos-base anteriormente estimados. Com isso, a projeção para a taxa básica de juros ao final de 2026 subiu de 11,75% para **12,25% ao ano**.
O JPMorgan avalia que um ritmo mais lento de cortes no curto prazo não necessariamente implica uma taxa final mais alta. Pelo contrário, ao preservar a credibilidade no combate à inflação, esse caminho pode tornar mais factível uma Selic terminal de 10% em 2027, que permanece como cenário central do banco. No entanto, a incerteza sobre este horizonte permanece elevada.
Fiscal como principal risco e incertezas no radar do Banco Central
No âmbito fiscal, o JPMorgan reforça que a **política orçamentária** continua sendo o principal fator de risco para o balanço de crescimento e inflação no Brasil. Medidas governamentais para mitigar os efeitos de choques externos, estimular o crédito e reduzir o endividamento das famílias podem suavizar parte do impacto negativo sobre a atividade econômica.
Contudo, essas mesmas medidas adicionam complexidade ao trabalho do Banco Central, especialmente em um ano marcado por maior sensibilidade política. A capacidade do governo em gerenciar o quadro fiscal será crucial para a estabilidade econômica e para as decisões futuras da política monetária.