Aguarde, Carregando
Pular para o conteúdo

FIDCs Superam o CDI em 18% em 2 Anos e Atraem Investidores em Busca de Rentabilidade Maior

FIDCs se destacam com rentabilidade superior ao CDI, atraindo investidores em cenário de crédito privado instável

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão ganhando o protagonismo no mercado financeiro, especialmente entre investidores que buscam alternativas diante do atual cenário de instabilidade no crédito privado. Esses fundos, que funcionam adquirindo direitos de recebimento de empresas, têm demonstrado uma capacidade notável de entregar retornos expressivos.

Um levantamento recente da XP Investimentos revela que os fundos compostos por cotas de FIDCs (FIC FIDCs) alcançaram uma rentabilidade de 118% do CDI em um período de 24 meses. Este desempenho supera significativamente outras opções de investimento em crédito.

O estudo aponta que fundos de crédito privado com menor risco (high grade) renderam 104% do CDI no mesmo período, enquanto os fundos de maior risco (high yield) entregaram 112%. Já os fundos focados em títulos de crédito com maior liquidez apresentaram um retorno de 101% do CDI. Conforme informação divulgada pela XP Investimentos, esses dados indicam uma clara vantagem dos FIDCs em termos de performance recente.

O Contexto de Mercado Favorável aos FIDCs

A relevância do risco de crédito tem aumentado no mercado, especialmente após eventos como a guerra no Irã e as moratórias de grandes empresas brasileiras, que impactaram as cadeias produtivas e os balanços corporativos. Clara Sodrê, analista de fundos da XP e coautora do estudo, explica que, em momentos de maior sensibilidade ao risco, o mercado tende a exigir prêmios maiores para investir em títulos de crédito corporativo.

O índice IDEX-DI, por exemplo, mostra que o prêmio médio desses títulos subiu de 1,5% acima do CDI para algo entre 2,1% e 2,4% em comparação com títulos públicos. No segmento de infraestrutura, os spreads saltaram 12,27 pontos base acima do juro de títulos públicos atrelados à inflação. Essa dinâmica pressiona a rentabilidade de fundos de crédito tradicionais, que precisam reavaliar o valor de seus ativos.

Vantagens Estruturais e de Rentabilidade dos FIDCs

Uma das características que diferenciam os FIDCs é a forma como sua rentabilidade é calculada. Diferentemente de outros fundos que atualizam suas cotas diariamente, os FIDCs e os FIC FIDCs utilizam a marcação na curva, baseada na taxa acordada no início da operação. Isso tende a gerar menos volatilidade nos retornos reportados.

A XP destaca que os fundos de FIDCs podem ser ferramentas eficazes para reduzir a volatilidade geral de uma carteira de crédito e aumentar a previsibilidade dos retornos. Além disso, no caso dos FIC FIDCs, o investidor se beneficia da diversificação, não se expondo a um único gestor, mas a uma carteira com múltiplos ativos e estratégias.

Fábio de Aguiar Faria, portfólio manager do family office Mirabaud no Brasil, corrobora a atratividade dos FIDCs. Ele menciona que esses fundos entregam retornos de 3% a 4% acima do CDI, enquanto outras opções como letras financeiras de bancos de primeira linha pagam cerca de 0,4% ao ano acima do CDI. “É uma assimetria muito grande”, ressalta.

Considerações Importantes e Riscos Associados

Apesar da rentabilidade atrativa, Faria alerta que os FIDCs possuem uma estrutura mais complexa, exigindo análise aprofundada do administrador, custodiante e, principalmente, do consultor de crédito. Mecanismos como a subordinação de cotas e as cotas seniores são importantes para proteger os investidores da inadimplência, minimizando o impacto de calotes.

A Mirabaud, por exemplo, prefere FIDCs diversificados, multicarteira e multissacado, com alta subordinação. Eles também focam em FIDCs fechados, que evitam resgates em massa durante oscilações de mercado. No entanto, o relatório da XP ressalta que, embora a estrutura possa reduzir a volatilidade aparente, o risco de crédito em si não é eliminado, apenas sua forma de manifestação é alterada.

Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar Inteligência de Mercado, reforça a importância de compreender as especificidades e a dinâmica dos FIDCs. Um alerta recente da Uqbar diz respeito ao atraso na entrega de informes mensais por parte de alguns administradores. Segundo Marrucho, a falta de transparência regulatória básica deve ser vista com preocupação, pois impede o acompanhamento da carteira, dos índices de inadimplência e da saúde geral do fundo.

Um estudo da Uqbar identificou que 76 FIDCs, com um patrimônio total de R$ 37 bilhões, não haviam entregado os informes mensais de fevereiro até o início de abril. Essa ausência de dados é um ponto crítico para que investidores possam avaliar adequadamente os riscos e a performance desses fundos.