Brasil atinge patamar de ‘muito alto desenvolvimento humano’, mas desafios de igualdade persistem

O Brasil registrou sua melhor marca em 2024 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), superando a marca de 0,805 e entrando na faixa de ‘muito alto desenvolvimento humano’. Este avanço, segundo o Radar IDHM, reflete melhorias nas dimensões de longevidade e educação, apesar de um período de recuo em 2020 e 2021 devido à pandemia de COVID-19.

Apesar da conquista, o país ainda enfrenta desigualdades significativas em termos de território, raça/cor e gênero. Esses contrastes evidenciam que o desenvolvimento humano médio não se traduz em oportunidades iguais para todos os brasileiros, exigindo atenção contínua em políticas públicas.

Os dados, elaborados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, foram divulgados em evento que contou com a participação do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, que atribuiu os avanços a projetos federais e políticas públicas focadas nas populações mais vulneráveis.

IDHM sobe, mas desigualdades persistem entre grupos raciais

Entre 2012 e 2024, o IDHM da população branca evoluiu de 0,796 para 0,806, enquanto o da população negra (pretos e pardos) avançou de 0,685 para 0,712. Apesar da redução parcial das distâncias, a diferença na renda domiciliar per capita em 2024 era gritante: R$ 1.208,58 para brancos contra R$ 673,65 para negros.

Disparidades de gênero na renda do trabalho são acentuadas

As disparidades por sexo se tornam mais evidentes quando o IDHM é ajustado pela renda do trabalho. De 2012 a 2024, o IDHM ajustado masculino subiu de 0,804 para 0,822, enquanto o feminino foi de 0,662 para 0,679. A dimensão da renda do trabalho concentra as maiores diferenças entre homens e mulheres ao longo do período.

Desenvolvimento humano ajustado à desigualdade mostra ‘perda’ relevante

O Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) reforça que o desenvolvimento médio do país não reflete a realidade de todos. O IDHMAD avançou de 0,566 em 2012 para 0,641 em 2024. A ‘perda’ associada à desigualdade, calculada pela diferença entre IDHM e IDHMAD, caiu de 23,9% para 20,4%, indicando melhora, mas mantendo um hiato considerável.

Regiões do Nordeste avançam, mas disparidades territoriais permanecem

Todas as unidades da federação apresentaram evolução no IDHM entre 2012 e 2024, com destaque para estados do Nordeste como Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte. No entanto, as desigualdades regionais persistem: em 2024, o Distrito Federal registrou 0,866, enquanto Maranhão e Alagoas ficaram com 0,745 e 0,746, respectivamente. O ministro Guilherme Boulos ressaltou que os avanços são reflexo de políticas públicas que focam na população mais pobre, como a expansão do SUS, a valorização do salário mínimo e programas sociais como o Bolsa Família.

By Vanessa