Brasil barra entrada de diplomatas americanos enviados por Trump e Rubio para investigar urnas eletrônicas brasileiras
O Brasil negou a concessão de vistos a dois oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Riley Barnes e Samuel Samson. Segundo o jornal The Washington Post, a intenção era que eles viessem ao país para, a pedido do então presidente Donald Trump e do Secretário de Estado Marco Rubio, deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro.
O Itamaraty confirmou a negativa de entrada para os dois secretários-assistentes americanos. Ambos foram citados em conversas de oficiais dos EUA com o jornal americano, indicando que seriam os escolhidos para a missão no Brasil, embora o propósito exato da viagem não tenha sido detalhado oficialmente.
A movimentação dos Estados Unidos gerou um alerta nas autoridades brasileiras, que identificaram a tentativa de interferir no processo eleitoral. A solicitação de vistos ocorreu no dia 20 de julho, e o episódio ganhou repercussão após uma reunião de Flávio Bolsonaro com embaixadores, onde ele levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, mesmo após negativas do TSE.
Quem são Riley Barnes e Samuel Samson
Riley Barnes, natural do Texas, possui formação em Ciência Política e mestrado em Relações Internacionais. Ele atua como subsecretário do Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado dos EUA. Barnes também foi indicado por Marco Rubio para atuar como Coordenador Especial dos Estados Unidos para Questões Tibetanas e Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional.
Antes de assumir o cargo atual, Barnes teve passagens por outras funções no Departamento de Estado desde 2018, incluindo assessor sênior para Assuntos Políticos e redator-chefe de discursos do secretário. Ele também trabalhou no Atlantic Council, um centro de estudos em Relações Internacionais.
O Perfil de Samuel Samson
Samuel Samson, com 27 anos, é subsecretário-adjunto de Estado para o Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL). Ele foi nomeado para o cargo em maio de 2026, após atuar como conselheiro sênior de Políticas no mesmo escritório, a convite de Trump em janeiro de 2025.
Nascido no Texas e com pais filipinos e americanos, Samson formou-se na Universidade do Texas em Austin. Ele é conhecido por seu conservadorismo, tendo utilizado o slogan “Make America Great Again” em sua candidatura estudantil e sendo descrito como um “conservador feroz”.
Samson também esteve envolvido com o grupo político American Moment, ligado ao vice-presidente dos EUA, JD Vance. Ele trabalhou na entidade por quase três anos, focando em parcerias estratégicas. Em 2025, sob a gestão Trump, foi nomeado conselheiro sênior no Departamento de Estado.
A Tentativa de Deslegitimar as Urnas
A intenção do governo Trump, conforme divulgado pelo The Washington Post, era produzir um relatório que pudesse ser utilizado para questionar a integridade e a lisura do sistema de votação eletrônica brasileiro. Autoridades brasileiras identificaram essa tentativa de tumultuar o processo eleitoral.
Formalmente, os Estados Unidos solicitaram vistos para debater “liberdade de expressão relacionada às eleições”. No entanto, o Brasil interpretou o pedido como uma manobra para minar a confiança nas urnas eletrônicas, um sistema amplamente reconhecido por sua segurança e eficiência.
Posição do TSE e do Itamaraty
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a Embaixada dos Estados Unidos procurou a área internacional da Corte para tratar de uma visita de integrantes do governo americano, mas não detalhou a pauta da agenda. A reunião não foi marcada devido ao recesso do Judiciário.
O Itamaraty, por sua vez, confirmou a negativa dos vistos, reforçando a soberania brasileira em decidir quem pode ingressar em seu território e com quais propósitos. A decisão brasileira demonstra a firmeza do país em proteger seu processo democrático e a integridade de suas eleições contra interferências externas.

