Ibiuna Investimentos: Brasil se consolida como destino natural para investidores globais e Ibovespa tem espaço para subir mais
O cenário de incertezas globais, marcado por tensões geopolíticas e a busca por segurança, paradoxalmente, tem impulsionado o Brasil como um destino atraente para o capital estrangeiro. André Lion, sócio e gestor de renda variável da Ibiuna Investimentos, destaca que o país se encontra em uma posição privilegiada, especialmente com a valorização de commodities e energia. Essa conjuntura levou o Ibovespa a praticamente dobrar seu valor, e as perspectivas indicam que essa tendência favorável pode continuar, abrindo portas para que investidores brasileiros, antes focados em renda fixa, migrem para a bolsa de valores.
No entanto, Lion adverte que a tese de investimento no Brasil possui limites e falha em cenários de extremos. Em uma recessão global, o investidor tende a buscar ativos mais seguros, afastando-se de mercados emergentes. Por outro lado, uma forte aceleração econômica nos Estados Unidos pode concentrar o capital lá, diminuindo a necessidade de diversificação internacional. “No meio do caminho, o Brasil segue como destino natural”, afirma o gestor.
Apesar do desempenho expressivo da bolsa, muitos investidores brasileiros ainda demonstram receio, mantendo a maior parte de seus recursos em renda fixa. Essa relutância em investir em ações, mesmo diante de retornos significativos no mercado de capitais, é um ponto de atenção destacado por Lion. Conforme informação divulgada pela Ibiuna Investimentos, a maioria das pessoas físicas no Brasil possui zero em bolsa, o que representa uma oportunidade perdida diante do potencial de valorização.
Oportunidades na Bolsa Brasileira e a Visão do Investidor Estrangeiro
As condições atuais da bolsa brasileira, segundo André Lion, diferem do cenário inicial que atraiu o capital estrangeiro. Contudo, ele avalia que ainda há um potencial considerável de valorização em comparação com a renda fixa. Caso a taxa de juros real no Brasil recue para perto de 5%, os ativos domésticos poderiam apresentar uma valorização entre 30% e 50%. “Tem oportunidades. A gente está comprando ativamente hoje”, declara o gestor.
Lion também comentou sobre o acordo em negociação entre EUA e Irã, e seu impacto no fluxo de capital estrangeiro. Ele observa que o “trade Brasil” teve uma parada, o que considera saudável após um fluxo desproporcional no início do ano. A guerra na Ucrânia, embora tenha gerado volatilidade, também elevou os preços de energia, um fator que beneficia o Brasil.
A visão do investidor estrangeiro sobre o Brasil é de uma assimetria clara: um cenário de continuidade (como um possível “Lula 4”) é visto como mais do mesmo, sem disrupções. Em contrapartida, uma alternância de poder poderia trazer mudanças estruturais, especialmente na área fiscal, com potencial de queda nos juros e valorização dos ativos. Assim, o investidor estrangeiro percebe a eleição como uma escolha entre manter o status quo ou uma melhora significativa.
O Papel da Renda Fixa e a Migração para Ações
A complacência do investidor estrangeiro com o Brasil está ancorada em um cenário de dólar fraco e busca por commodities. Se essa conjuntura mudar, com um dólar mais forte ou menor demanda por commodities, essa confiança pode diminuir rapidamente. Por isso, é crucial não tratar o cenário atual como garantido.
Para o investidor local, a principal barreira para investir em bolsa é a percepção de que a renda fixa é o melhor ativo. O custo de oportunidade para o investidor doméstico é real e mensurável diariamente, diferentemente do investidor estrangeiro, que opera com um custo de capital significativamente menor. Essa diferença explica por que o capital externo obteve retornos maiores.
A redução gradual da crença na renda fixa como o ativo ideal é o que impulsionará o investidor local a migrar para a bolsa. Esse processo, embora lento, já começou. A constatação de que a maioria das pessoas físicas tem zero em bolsa reforça a existência de um potencial de crescimento expressivo.
Potencial de Valorização e Escolhas de Investimento
Um cenário de juro real mais baixo, na faixa de 5% ou menos, pode gerar valorizações de 30% a 50% em ativos brasileiros. Essa perspectiva é sustentada pela expectativa de uma solução para o cenário internacional sem rupturas, um ajuste fiscal razoável por parte do governo, e um crescimento econômico contínuo do Brasil, projetado entre 2% e 3% ao ano.
Na atual correção do mercado, a Ibiuna Investimentos tem focado em Petrobras (PETR4), devido à mudança estrutural no preço do petróleo, que agora se estabiliza em patamares mais elevados. A empresa volta a gerar caixa expressivo e a pagar dividendos, justificando o aumento da posição após o resultado do quarto trimestre.
Além de Petrobras, a gestora busca empresas resilientes, com bom desempenho operacional mesmo em juros altos e com alavancagem financeira controlada. Empresas de shopping centers, geradoras de energia e algumas varejistas com valuations atrativos estão no radar. A C&A (CEAB3) é um exemplo, negociada a múltiplos baixos, com execução operacional satisfatória e expectativa de continuidade.
Para o investidor que ainda não investe em bolsa, Lion aconselha cautela e foco em oportunidades, lembrando que “muito barato” é diferente de “oportunidade”. A recomendação é de investimento recorrente, aportando quantias menores de forma consistente, sem tentar acertar o momento ideal de entrada. O objetivo é construir uma posição confortável e equilibrada, sem apego excessivo a uma classe de ativo específica.