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BYD e carros elétricos: por que ações e vendas caíram, subsídios cortados, concorrência feroz e excesso de oferta ameaçam a líder global

A BYD, que superou a Tesla e se tornou a maior fabricante de veículos elétricos do mundo, enfrenta agora um período de ajuste, com ações e vendas em queda.

Os sinais mostram que a liderança obtida com rapidez está sendo testada por competição intensa, mudanças nos subsídios e excesso de capacidade industrial.

No desenvolvimento a seguir, explicamos por que a queda nas ações e nas entregas da BYD acontece, quais são os números mais recentes e o que pode vir a seguir para a fabricante chinesa e seus carros elétricos, conforme informação divulgada pelo The New York Times Company.

O que dizem os números

As ações da BYD caíram cerca de 40% em relação ao pico registrado em maio do ano passado, tornando a empresa uma das mais atingidas na liquidação mais ampla dos papéis de veículos elétricos chineses.

Depois de crescer 28% no ano passado, as entregas de veículos elétricos da BYD em janeiro caíram cerca de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados citados.

Além disso, as vendas totais de novos veículos elétricos recuaram quase 20%, segundo a China Association of Automobile Manufacturers, um recuo que explica parte do aperto no mercado.

Por que as ações e vendas recuaram

Há várias forças agindo ao mesmo tempo. A redução dos incentivos governamentais e o retorno parcial do imposto sobre compra de veículos alteraram a atratividade do produto, enquanto a competição no mercado chinês se intensificou.

Um fator apontado é que a BYD cresceu muito rápido, e agora, segundo John Paul MacDuffie, professor da Wharton School, “A BYD cresceu tão rápido que está ficando sem novos clientes domésticos“, o que dificulta manter o ritmo de expansão.

O setor também entrou em uma dinâmica de corte de preços e adição contínua de recursos apenas para sobreviver, um processo descrito como “involução”, que pressiona margens e lucros.

Concorrência, modelos e capacidade ociosa

O mercado chinês está saturado de ofertas, com quase 400 modelos de veículos elétricos à venda em 2025, mais que o dobro de 2019, segundo a Jato, e mais de 100 modelos lançados nos últimos dois anos.

Fábricas grandes e ciclos de lançamento mais rápidos geraram capacidade ociosa, um problema que Mike Smitka, especialista da área, quantificou em cerca de 40% da capacidade de produção automotiva da China ociosa.

Essa combinação alimenta excesso de oferta e competição por preço, o que corrói a rentabilidade mesmo para líderes como a BYD, que já liderou por volume no país.

Impacto estratégico e perspectivas

A BYD afirmou, por meio de um comunicado publicado no WeChat, que atribui a queda à “demanda doméstica fraca”. A empresa não respondeu a pedido de comentário, segundo a reportagem.

Analistas veem uma consolidação inevitável, com Scott Kennedy, do Center for Strategic and International Studies, dizendo que o setor está entrando em um “período de guerra”, e que o número de fabricantes provavelmente precisará encolher de centenas para algumas poucas empresas sustentáveis no longo prazo.

Para observadores como Tu Le, analista de transporte e tecnologia, a indústria chinesa está se transformando em algo que lembra mais empresas de tecnologia do que as montadoras tradicionais, com ciclos rápidos de inovação, e ele alerta que é questão de tempo até que fabricantes chineses avancem para mercados hoje protegidos, apesar de tarifas altas.

Em suma, a queda nas ações e nas vendas da BYD se explica por uma combinação de fatores, incluindo o fim parcial dos subsídios, excesso de modelos e capacidade ociosa, competição feroz e a necessidade de converter compradores ocasionais em clientes fiéis. O desfecho dependerá da capacidade da BYD e de rivais de ajustar preços, margens e estratégia de produto enquanto o setor se reestrutura.