Dia do Café: Um Alívio Incerto para o Bolso do Consumidor Brasileiro
Nesta terça-feira, 14 de abril, celebramos o Dia do Café, e os indicativos de preço trazem um misto de esperança e preocupação para os amantes da bebida no Brasil. Embora os dados mais recentes apontem para uma desaceleração nos preços do café em casa, o cafezinho consumido em padarias e bares ainda representa um gasto significativo.
Os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE, mostram uma tendência de queda para o café moído e solúvel nos primeiros meses de 2026. Contudo, essa melhora ainda não se refletiu totalmente no custo das bebidas preparadas fora do lar.
Essa variação de preços, especialmente no consumo fora de casa, se deve a uma combinação de fatores que vão além do custo do grão, incluindo custos de mão de obra, aluguel e serviços agregados. Conforme divulgado pelo IBGE, o café moído caiu 3,62% e o solúvel recuou 2,02% entre janeiro e março de 2026.
Desaceleração nos Preços em Casa, Mas Impacto Limitado Fora do Lar
O cenário para o café em casa apresenta um alívio. No início de 2026, o café moído registrou uma queda de 3,62% e o café solúvel apresentou recuo de 2,02%. O cafezinho consumido fora de casa, por outro lado, teve uma variação mínima de 0,08% no mesmo período, indicando que a desaceleração ainda não chegou de forma expressiva a bares e padarias.
Apesar dessa melhora recente, o acumulado dos últimos 12 meses até março de 2026 ainda mostra um avanço nos preços. O café moído subiu 0,54%, enquanto o café solúvel teve um aumento expressivo de 15,86%. Fora de casa, o cafezinho acumula uma alta de 8,24%, evidenciando que o consumidor ainda sente o peso dos aumentos de 2025.
Padarias Paulistanas Sentiram o Aumento em 2025
Em setembro de 2025, um levantamento do Procon-SP nas padarias da capital paulista já apontava um aumento médio de 36,5% no preço do café coado (copo) em comparação com o ano anterior. Outras bebidas populares, como o pingado (+13,5%) e o cappuccino pequeno (+10,9%), também registraram elevações significativas.
A pesquisa, realizada em 50 estabelecimentos, também revelou disparidades de preço dentro da própria cidade. Um café que custava em média R$ 9,61 podia ser encontrado por R$ 7,71 na Zona Leste ou chegar a R$ 10,77 na Zona Oeste, uma variação de quase 40%.
Consumo em Queda, Receita em Alta: O Dilema da Indústria
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) indicam que o consumo de café no Brasil sofreu uma queda de 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, reflexo direto dos preços mais altos. Paradoxalmente, a receita da indústria de café avançou nesse período, sugerindo que o aumento dos preços compensou a redução no volume vendido.
O encarecimento generalizado do café em 2025 no Brasil foi impulsionado pela forte valorização do grão no mercado global. Problemas climáticos, como secas e geadas em regiões produtoras, e o aumento dos custos logísticos e de produção pressionaram toda a cadeia produtiva.
Perspectivas Futuras: Recuperação da Oferta e Possível Queda nos Preços Globais
No mercado internacional, analistas observam que o café pode seguir uma trajetória semelhante a outras commodities que passaram por altas recentes, como o cacau, e que depois viram seus preços cederem. A expectativa é de uma recuperação na oferta, especialmente no Brasil, o maior produtor mundial de café arábica.
Essa recuperação na produção tende a aumentar a oferta global de café, o que, segundo especialistas, pode levar a uma redução nos preços. Esse cenário mais favorável no mercado internacional é o que explica a desaceleração observada nos preços do café em casa, mas ainda não se traduziu completamente nos custos do cafezinho consumido fora do domicílio, onde outros fatores influenciam o valor final.