Crédito brasileiro desperta interesse do capital internacional, diz Ibiuna
O cenário financeiro global está redesenhando as rotas de investimento, e o Brasil emerge como um destino cada vez mais cobiçado para o capital internacional interessado em crédito privado. A busca por alternativas rentáveis e com liquidez adequada tem levado gestores estrangeiros a explorar as oportunidades oferecidas pelo mercado brasileiro, conforme apontado por Eduardo Alhadeff, sócio e gestor da estratégia de crédito da Ibiuna Investimentos.
Enquanto os mercados tradicionais como os Estados Unidos enfrentam retornos cada vez mais apertados e dificuldades de liquidez no crédito privado, o Brasil se apresenta como um refúgio atrativo para investidores em busca de diferenciação. Essa movimentação sinaliza uma potencial mudança no fluxo de capital e uma nova era para o crédito corporativo nacional.
A Ibiuna Investimentos, atenta a essa tendência, tem adaptado suas estratégias para capturar essas oportunidades. Alhadeff compartilhou episódios recentes que ilustram o crescente interesse, incluindo a procura de um investidor americano especializado em crédito imobiliário estruturado e de um grande fundo internacional com excesso de capital. Conforme informação divulgada pela Ibiuna Investimentos, esses investidores buscam no Brasil a rentabilidade e a liquidez que faltam em outros mercados.
A Estratégia da Ibiuna: Paciência e Oportunismo
A gestão do fundo Ibiuna Credit tem se pautado por uma estratégia de “paciência deliberada” na alocação de ativos, combinada com compras oportunistas. Desde meados de 2024, a gestora vinha encurtando prazos e elevando a qualidade dos papéis em carteira, avaliando que o mercado de crédito local não remunerava adequadamente os riscos assumidos. Essa postura resultou em um caixa elevado, priorizando a segurança em detrimento de retornos de curto prazo.
No início de março deste ano, mais de 33% dos ativos do fundo estavam aplicados em caixa, um número que se aproximava de 40% ao incluir letras financeiras e debêntures curtas de infraestrutura. “A gente tenta não pegar a faca caindo, esperar a faca cair no chão para começar a investir”, explicou Alhadeff. Com a correção do mercado no primeiro trimestre, a equipe da Ibiuna iniciou uma realocação gradual, e o caixa atual se encontra em torno de 20%.
Bonds Latino-Americanos Como Diferencial de Rentabilidade
Uma marca distintiva da gestão da Ibiuna Crédito é a alocação em títulos corporativos de empresas latino-americanas emitidos no exterior, conhecidos como bonds, sempre com proteção cambial. Essa estratégia visa mitigar o risco da variação do dólar por meio de derivativos, assegurando que as oscilações cambiais não impactem negativamente os cotistas brasileiros. Ao longo de quase seis anos, essa parcela da carteira, com uma exposição média de 12% a 13% do patrimônio, respondeu por 25% do excesso de retorno gerado pelo fundo.
“Com um oitavo de exposição no fundo, gerei um quarto do alfa da carteira”, sintetizou Alhadeff. Em 2024, papéis de empresas argentinas como YPF e Pampa Energía, adquiridos com retornos superiores a 10% ao ano em dólares, beneficiaram-se da mudança no cenário macroeconômico argentino após a eleição de Javier Milei. Oportunidades em outros países da América Latina, como México, Peru e Colômbia, também já foram exploradas pela gestora.
O Mercado Doméstico e a Competitividade Crescente
A entrada de capital estrangeiro em maior volume no Brasil tende a intensificar a competição no mercado de crédito local. Atualmente, o espaço é predominantemente ocupado por gestores domésticos, que possuem um conhecimento aprofundado das dinâmicas e das “regras não escritas” desse mercado, conferindo-lhes uma vantagem considerável. A Ibiuna Investimentos, com sua expertise e estratégia bem definida, posiciona-se para navegar nesse ambiente competitivo e atrair tanto investidores locais quanto internacionais.

