Aguarde, Carregando

Casas Bahia e a recuperação judicial, R$ 17,3 bilhões em dívidas: do crediário e slogans-chiclete à reestruturação e novo controlador em 2025

A rede tradicional do varejo brasileiro solicitou recuperação judicial para tentar equacionar um passivo de R$ 17,3 bilhões, marca que a própria companhia descreveu como a ‘pior crise financeira’ desde a sua fundação.

O grupo, nascido em 1952 com Samuel Klein, cresceu apoiado no crediário e em slogans que viraram bordão, mas enfrentou queda de desempenho na era digital e episódios de crise societária.

Nas últimas etapas, houve fechamento de lojas, reestruturação de dívidas e mudança de controle, numa sequência que culminou no pedido judicial após prejuízo registrado no ano.

conforme informação divulgada pelo g1

Origens e o crediário que moldou o negócio

Samuel Klein chegou ao Brasil em 1952 e começou a vender artigos de cama, mesa e banho, especialmente para trabalhadores migrantes do Nordeste.

A primeira loja foi aberta em 1957, em São Caetano do Sul, e a estratégia que garantiu a expansão foi o crediário, que permitia o parcelamento para clientes das classes C, D e E.

O posicionamento acessível virou ícone cultural, com expressões como “armário Casas Bahia”, e foi a base do crescimento por décadas.

Expansão, slogans e transformação em Via Varejo

Nos anos 1970 a marca consolidou bordões como “Dedicação total a você”, e nos anos 1990 ampliou atuação para além de São Paulo, chegando a estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro.

No caminho houve movimentações societárias importantes, com a união à Pontofrio e a incorporação de ativos do Grupo Pão de Açúcar, resultando em 2012 na companhia rebatizada como Via Varejo.

Posteriormente, o braço digital Cnova foi integrado à Via Varejo, enquanto iniciativas como o banco digital BanQi foram lançadas, sem, contudo, impedir a perda de fôlego frente à concorrência online.

Crises, investigações e retorno do nome Casas Bahia

Em 2021 surgiram denúncias envolvendo membros da família Klein, que motivaram investigações, incluindo apuração do Ministério Público do Trabalho, segundo informações públicas.

No esforço de se recolocar no mercado, a empresa voltou a adotar o nome Casas Bahia em 2023 e resgatou campanhas com o garoto-propaganda famoso pela frase “Quer pagar quanto?”.

Antes, em 2024, a varejista fechou um acordo extrajudicial que reprisou parte da dívida, reperfilando R$ 4,1 bilhões com Bradesco e Banco do Brasil.

Novo controlador, aumento de capital e o pedido de recuperação judicial

Em 2025 houve tentativa de retorno de Michael Klein ao comando, e movimentações societárias culminaram com a entrada da Mapa Capital, por meio da Domus, na estrutura acionária da companhia.

O veículo da Mapa Capital passou a deter 82,11% do capital após emissão de novas ações, em operação que envolveu conversão de debêntures em participação acionária.

Depois de divulgar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, a rede entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar R$ 17,3 bilhões em dívidas, enquanto já havia fechado cerca de 300 lojas e anunciado demissões no processo de ajustes.

O pedido de recuperação judicial abre um período de negociação com credores, e a companhia tenta, com medidas operacionais e societárias, encontrar um caminho para manter a operação e preservar empregos.

Rolar para cima