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Celso Amorim alerta que o conflito no Oriente Médio não vai ser um passeio, cita morte de Ali Khamenei, participação dos EUA e risco de caos geopolítico

O embaixador Celso Amorim disse que o atual quadro no conflito no Oriente Médio tende a ser mais complexo e perigoso do que muitas expectativas iniciais.

Ele afirmou que a ação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel, que culminou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, torna o cenário mais volátil, e que não se trata de uma operação curta e simples.

Amorim também lembrou de episódios do passado e alertou para a possibilidade de uma escalada mais ampla, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estimou uma duração de quatro semanas para a ação militar.

conforme informação divulgada pelo assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embaixador Celso Amorim, em palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ

O alerta de Celso Amorim

Ao falar à plateia da UFRJ, Amorim foi direto, afirmando, “É difícil medir quais serão as consequências desse ataque, mas uma coisa é certa, essa guerra não vai ser um passeio. Não será uma guerra, creio eu, como foi em certo ponto a invasão do Iraque”.

Com essa declaração, ele ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode assumir dimensões mais amplas e com impactos internacionais difíceis de prever.

Comparação com crises anteriores

O embaixador comparou a atual tensão com episódios históricos, como a Crise dos Mísseis em Cuba e a invasão do Iraque em 2003, para mostrar que, apesar de similaridades, o contexto atual tem diferenças importantes.

Ele disse ainda, “Quando a União Soviética colocou mísseis em Cuba, foram dias de grande aflição, mas era um tema e duas pessoas razoavelmente, não sei se racionais, mas eram pessoas que dialogavam uma com a outra e foi possível encontrar uma solução, que não foi a ideal nem para um lado e nem para o outro, mas serviu para acalmar o mundo”.

Amorim assinalou que, em seis décadas de diplomacia, nunca presenciou um momento de tensão global como o atual, por causa da multiplicidade de atores e da perda de canais de diálogo confiáveis.

Implicações geopolíticas e duração do conflito

O assessor enfatizou que a participação dos Estados Unidos na morte de um líder no início de um conflito é um fato inédito em sua avaliação, e que essa ação pode acelerar uma reconfiguração geopolítica.

Ele citou a declaração de Donald Trump a um jornal britânico, segundo a qual a ação militar teria uma duração de quatro semanas, mas avaliou ser difícil imaginar uma curta duração para o conflito no Oriente Médio.

Amorim também advertiu sobre a perda de normas internacionais, dizendo, “O que estamos assistindo hoje é uma involução do cosmo para o caos. De um mundo com regras, ainda que defeituosas, injustas e assimétricas, para um mundo absolutamente sem regras”.

Riscos e próximos passos

Para o embaixador, o cenário exige atenção e prudência dos governos e da diplomacia multilateral, porque a escalada pode envolver outros países e atores não estatais, ampliando os efeitos regionais e globais.

O aviso de Amorim destaca a incerteza sobre a duração e o desfecho do conflito, e reforça a necessidade de acompanhar desdobramentos políticos e militares, e de buscar canais de diálogo que reduzam o risco de uma escalada maior.