Aliados do deputado Flávio Bolsonaro dizem temer uma movimentação do Centrão para mudar as regras eleitorais, buscando limitar a força de candidaturas nascidas nas redes sociais.
A aposta é que o bloco tentará aprovar o voto distrital misto, sistema que dividiria as vagas da Câmara entre representantes eleitos por distrito e vagas por lista proporcional.
O movimento vem após o PL ampliar sua bancada com votações marcantes de candidatos que atuam fortemente nas redes, e a mudança seria uma resposta política a esse crescimento,
conforme informação divulgada pelo Metrópoles, na coluna de Vinicius Passarelli.
Por que o Centrão quer o voto distrital misto
Integrantes do Centrão veem no voto distrital misto uma forma de resgatar vínculos locais entre eleitos e eleitores, reduzir a influência de campanhas digitais massivas e aumentar o poder de negociação de bancadas tradicionais.
Para o grupo, o modelo reduziria a chance de repetições de resultados que ampliaram bancadas, favorecendo políticos com grande exposição nas redes, e devolveria protagonismo a estruturas partidárias regionais.
Como funciona o sistema proposto e impactos para o PL
No formato em debate, metade da Câmara seria ocupada por deputados eleitos como os mais votados em seus distritos, enquanto a outra metade seria definida pelo sistema proporcional, como hoje.
Aliados do PL citam episódios recentes em que candidatos influentes, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, receberam mais de 3 milhões de votos cada um, e dizem que mudanças poderiam reduzir a vantagem desses perfis.
Tramitação, atores e declarações
Segundo a apuração, o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, discute acelerar a tramitação do projeto que implanta o voto distrital misto.
O texto já tramita na CCJ da Câmara, sob relatoria do deputado Domingos Neto, do PSD-CE, e tem mobilizado conversas entre partidos do Centrão e aliados alinhados à defesa de mudanças no sistema eleitoral.
O ministro do STF Alexandre de Moraes também defendeu recentemente o modelo, criticando o sistema atual, e afirmou, “Esse modelo eleitoral faliu porque produz candidatos e eleitos que não têm vinculação nenhuma a partidos, que se preocupam muito mais em ficar fazendo live da Câmara do que discutir o projeto que tá sendo aprovado”, em evento do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, em 25 de agosto.
Reação de aliados de Flávio Bolsonaro e cenário adiante
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o movimento do Centrão representa um contra-ataque à estratégia eleitoral do PL, que se beneficiou de candidaturas digitais em 2026.
O enfrentamento político agora deverá se dar na Câmara, entre articulações para acelerar a proposta e resistência de partidos que perderiam espaço com a mudança, tornando a disputa por regras eleitorais central nas próximas semanas.

