Investigações da Polícia Federal revelam como Chiquinho Feitosa atuou para aproximar o banqueiro Daniel Vorcaro do ministro Gilmar Mendes no STF
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal colocaram o ex-senador Chiquinho Feitosa no epicentro de uma polêmica envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal. O material sugere que o ex-cunhado de Gilmar Mendes atuava como uma ponte estratégica para o banqueiro Daniel Vorcaro.
Os diálogos indicam que Feitosa acompanhava processos de interesse do banco e incentivava o banqueiro a buscar uma relação direta com o ministro. Tudo isso ocorria enquanto o ex-senador recebia vultosos pagamentos mensais de empresas ligadas ao empresário.
Conforme informações divulgadas pela apuração da Polícia Federal, a relação entre os envolvidos envolvia valores expressivos e uma articulação próxima aos gabinetes da Suprema Corte brasileira.
Os valores milionários e a consultoria sob suspeita
Segundo os dados obtidos pelos investigadores, o contrato previa pagamentos mensais de R$ 500 mil líquidos, além de uma parcela inicial de R$ 800 mil. Os repasses eram realizados pela Super Empreendimentos, apontada pela PF como um instrumento para lavagem de dinheiro.
Chiquinho Feitosa admitiu a prestação de serviços de consultoria, mas defendeu a legalidade da sua atuação. Ele afirmou que a empresa era vista como idônea na época e que o vínculo profissional durou apenas um curto período de tempo.
A articulação da reunião no gabinete do ministro
Um dos pontos mais sensíveis do relatório da Polícia Federal é a organização de uma reunião no dia 11 de abril de 2024. Feitosa enviou o contato de uma secretária do ministro para Vorcaro, orientando como o banqueiro deveria proceder no encontro.
O roteiro detalhado previa que Vorcaro entrasse sozinho no gabinete, sendo acompanhado pelos advogados do Banco Master apenas trinta minutos depois. O ministro Gilmar Mendes confirmou a audiência, mas ressaltou que ela foi de caráter institucional e acompanhada por advogados.
A defesa de Gilmar Mendes e o impacto das relações
O ministro Gilmar Mendes afirmou desconhecer qualquer tratativa entre o seu ex-cunhado e o banqueiro Daniel Vorcaro. Ele reforçou que não pode ser responsabilizado por relações privadas mantidas por ex-parentes em momentos anteriores.
Além disso, Gilmar ressaltou que, nos julgamentos envolvendo os interesses do banco, votou de forma contrária às pretensões do Banco Master. Para o ministro, a audiência realizada não teve qualquer influência sobre suas decisões judiciais.
O limite entre a assessoria e o lobby de alto nível
Apesar das negativas, o teor das mensagens continua gerando debates sobre a ética no meio político. Oito dias após a reunião, Feitosa reforçou a Vorcaro que era importante cultivar uma relação direta com Gilmar para garantir o futuro dos negócios.
O caso expõe, segundo os investigadores, uma rede complexa onde o parentesco e a remuneração elevada se misturam ao acompanhamento de processos. A linha entre a assessoria técnica e o lobby de alto nível segue sendo o principal foco de análise das autoridades.

