Republicanoss e Cleitinho Azevedo: Uma Reviravolta que Sacudiu Minas Gerais e Impactou Alianças Políticas
O Partido Republicanos confirmou, após um período de intensas negociações e reviravoltas, a candidatura de Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais. A decisão, que encerra semanas de indefinição, veio acompanhada de uma condição financeira: Cleitinho não utilizará recursos do fundo eleitoral do partido em sua campanha.
A reviravolta ocorreu em um momento crucial, quando algumas alianças já haviam seguido outros caminhos devido à demora na definição. O senador, no entanto, manteve-se na liderança das pesquisas estaduais, um fator determinante para a retomada da sua candidatura. Essa força eleitoral, segundo o próprio Republicanos, foi um dos pilares para a decisão.
A nota oficial do partido indicou que Cleitinho reconheceu os erros cometidos durante as negociações, pediu desculpas aos envolvidos e reafirmou seu compromisso com a disputa. A decisão, portanto, recupera uma candidatura que chegou a ser formalmente descartada pela legenda, mas que se mostrou resiliente diante das adversidades políticas. Conforme informações divulgadas, a candidatura de Cleitinho Azevedo foi confirmada após reunião em São Paulo entre o senador, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente estadual da legenda em Minas Gerais, deputado federal Euclydes Pettersen.
A Força das Pesquisas e o Pedido de Desculpas de Cleitinho
Um dos fatores decisivos para o Republicanos bancar a candidatura de Cleitinho Azevedo foram os **resultados expressivos em pesquisas de intenção de voto**. Em levantamento da Genial/Quaest divulgado em 28 de julho, Cleitinho liderava com 35% das intenções de voto no cenário mais amplo de primeiro turno. Ele também aparecia na frente em simulações de segundo turno.
Para se ter uma ideia da disparidade, Alexandre Kalil (PDT) registrava 12%, Patrus Ananias (PT) 10%, e o governador Mateus Simões (PSD) 6%. Flávio Roscoe (PL), que seria lançado posteriormente pelo partido, aparecia com apenas 2% no mesmo levantamento. A **força eleitoral de Cleitinho Azevedo** demonstrou resiliência, mesmo diante do desgaste causado pela própria indefinição do senador.
Em nota, a direção nacional do Republicanos afirmou que o senador reconheceu os erros cometidos durante as negociações, pediu desculpas ao partido, aos eleitores e às forças envolvidas na construção da candidatura. Ele assumiu o compromisso de permanecer na disputa até o fim, o que foi crucial para a reversão da decisão inicial do partido.
A Candidatura que Quase Não Aconteceu: Um Roteiro de Incertezas
A trajetória para a consolidação da candidatura de Cleitinho Azevedo foi marcada por **obstáculos e incertezas**. O Republicanos esperava resolver a situação até a convenção estadual em 26 de julho, mas Cleitinho não participou do evento, pouco depois da morte de um irmão, deixando a candidatura sem confirmação oficial.
Na semana seguinte, um vídeo publicado pelo senador, onde ele dizia “aceitar a missão”, foi interpretado por aliados como uma decisão de concorrer. Contudo, a manifestação não encerrou a resistência interna no partido. As executivas estadual e nacional chegaram a considerar a possibilidade de candidatura encerrada, argumentando que Cleitinho não havia assumido de forma suficientemente clara a responsabilidade de liderar o projeto eleitoral.
O PL Segue com Candidatura Própria e Alianças se Reorganizam em Minas
A demora na definição por parte do Republicanos teve **consequências diretas nas alianças estaduais**. Sem Cleitinho Azevedo confirmado, partidos que poderiam compor o mesmo campo político passaram a organizar projetos próprios. O PL, por exemplo, decidiu lançar Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg, e informou que manteria sua candidatura mesmo após o Republicanos recuar e confirmar Cleitinho.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, aderiu à candidatura de Mateus Simões. O governador, escolhido por Romeu Zema (Novo) como seu sucessor, passou a reunir PSD, União Progressista, Novo, PRD, Solidariedade e Avante. Marcelo Aro, que chegou a ser discutido como possível candidato de uma aliança entre Republicanos e PL, ficou fora dessas duas principais construções e seguirá como candidato ao Senado.
O resultado é um cenário político mais fragmentado em Minas Gerais do que o inicialmente previsto. Cleitinho Azevedo entra na disputa como líder das pesquisas, mas encontra o campo político mais próximo dividido entre diferentes candidaturas. Essa pulverização também se reflete na eleição presidencial, com Cleitinho já sinalizando apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto o PL tem candidato próprio ao governo mineiro. A volta de Cleitinho resolveu o problema imediato do Republicanos, mas deixou uma disputa mais pulverizada e reduziu o espaço para recompor a aliança inicialmente discutida pelas legendas.

