Cogna (COGN3) revela resultados expressivos no segundo trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado de R$ 210,2 milhões.
A Cogna Educação (COGN3) divulgou nesta quarta-feira (12) resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 (2T26) que superaram as expectativas do mercado. A companhia registrou um crescimento de dois dígitos na receita e uma expansão significativa do lucro líquido, mesmo diante de um cenário regulatório mais complexo no setor de Educação Superior.
O lucro líquido ajustado atingiu R$ 210,2 milhões, representando um aumento de 18% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O CEO Roberto Valério celebrou o desempenho, classificando o trimestre como “excelente” e ressaltando a diversificação do portfólio da Cogna como um fator chave para o sucesso.
“O segundo trimestre foi mais um trimestre excelente para nós, em todas as linhas: receita, Ebitda, lucro líquido, geração de caixa, redução de dívida”, afirmou o executivo. “Quando a gente olha o semestre, então, foi um semestre espetacular, especialmente do ponto de vista de geração de caixa livre.” Conforme informação divulgada pela companhia, esses resultados demonstram a solidez da estratégia adotada pela Cogna.
Educação Básica brilha e impulsiona resultados da Cogna
A unidade de Educação Básica, que agora integra Vasta e Saber em uma única operação após a deslistagem da Vasta na Nasdaq no início de 2026, foi a grande protagonista do trimestre. A receita do segmento somou R$ 650,2 milhões, um salto de 50,5%, com todas as linhas de receita apresentando crescimento em dois dígitos.
O CEO Roberto Valério destacou a performance: “De educação básica eu diria que foi um dos melhores trimestres da história da educação básica da Cogna”. O EBITDA Recorrente da divisão cresceu 62,7%, alcançando R$ 74,0 milhões, com expansão de margem, o que, segundo Valério, comprova o acerto da fusão entre Somos e Saber.
Um dos destaques foi o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), com receita de R$ 124,1 milhões (+457,8%), impulsionado por um efeito de calendário e um ganho real de mercado. A Cogna ganhou 8 pontos de participação de mercado neste programa. O segmento B2G também cresceu 45,4%, evidenciando a maturidade da carteira com mais de 100 contratos.
Educação Superior da Kroton mostra resiliência em cenário adverso
A Kroton, unidade de Educação Superior da Cogna, apresentou um crescimento mais moderado, com receita líquida de R$ 1,3 bilhão (+6,3%) e EBITDA Recorrente de R$ 515,4 milhões (+1,8%). A base de alunos encerrou o período com uma retração de 3,7%, impactada pelas mudanças regulatórias na modalidade EAD.
Valério explicou que a queda na base de alunos do EAD não é motivo de preocupação, pois decorre de uma mudança de mix para modalidades mais rentáveis, como o semipresencial e presencial, que atraem alunos que pagam mensalidades mais elevadas. A compressão de margem na Kroton foi um efeito esperado, natural em cursos presenciais.
A companhia também demonstrou melhora na gestão de inadimplência, com o prazo médio de recebimento caindo de 47 para 39 dias na comparação anual. “Quando a gente começou lá em 2021, o prazo médio de pagamento era quase 135 dias. Agora a gente está em 39. É uma evolução gigantesca desde que a gente fez a reestruturação”, comentou o CEO.
Desalavancagem e aquisição estratégica marcam o trimestre
A Cogna reduziu sua dívida líquida para R$ 2,7 bilhões, levando a alavancagem a 1,10x o EBITDA ajustado, o menor patamar histórico desde o turnaround iniciado em 2020. A estratégia de desalavancagem continua sendo prioridade, especialmente com a taxa de juros elevada.
“Enquanto a taxa de juros estiver tão alta, a gente vai continuar usando o capital para reduzir dívida só com o objetivo de pagar menos juros. Dado que não tem uma perspectiva da taxa cair, eu não tenho nenhuma perspectiva de quando é que a gente mudaria a estratégia”, afirmou Valério.
Em um movimento estratégico, a Cogna elevou sua participação na Educbank Pagamentos Educacionais de 47% para 90%, por R$ 46,2 milhões. Essa aquisição visa ampliar o leque de serviços oferecidos às escolas parceiras, incluindo soluções financeiras como receita garantida, adiantamento de recebíveis e empréstimos.
Investimentos em expansão e novas unidades
A companhia também aumentou seus investimentos (Capex Total) em 39,3%, totalizando R$ 150,3 milhões. Os recursos foram concentrados na construção de novas unidades de medicina em São Luís e Dourados, e na contratação de autores para fortalecer o portfólio editorial.
“É um super prédio novinho, só para medicina. Em novembro os alunos já vão poder ver o prédio pronto, mas para a volta às aulas vão em fevereiro”, disse Valério sobre a nova unidade de medicina em São Luís, demonstrando o compromisso da Cogna com a expansão e a qualidade de seus serviços educacionais.

