A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral, nesta quinta-feira, investigação sobre a distribuição de criptomoedas ligada a postagens favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O pedido mira os responsáveis pelo projeto Brasil 22 Token, que oferece unidades do ativo virtual B22 a pessoas que divulguem a iniciativa nas redes sociais, e aponta suspeitas de propaganda eleitoral remunerada e eventual compra de votos.
As informações foram detalhadas no documento apresentado pela coligação, conforme informação divulgada pela coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O que é o Brasil 22 Token e como funcionava a distribuição
Segundo o pedido, o site do projeto mantinha um programa que prometia entregar 30.000 B22 a cada uma das primeiras 1.000 pessoas que publicassem conteúdo de divulgação no X, no Instagram ou no TikTok, com inscrições até 26.10.2026.
Os advogados da coligação reproduzem a descrição do token cadastrada por organizadores em agregador, cuja tradução traz a finalidade da operação, ‘receba um airdrop $B22 por ajudar a espalhar o movimento e encorajar outros a votar 22. COMPRE. PUBLIQUE. INSPIRE. GANHE $B22’.
O site também afirma que a distribuição dos ativos é independente de voto, preferência eleitoral ou divulgação de propaganda eleitoral, declaração que a coligação diz ser contradita por mensagens em outros canais do projeto.
Transferência aos HypersKids e publicações nas redes
De acordo com o documento, o grupo de dança infantil de Uganda HypersKids recebeu 120 milhões de tokens na noite de quarta-feira, 7/10.
Onze minutos após a transferência, o perfil do grupo no Instagram, com 12,9 milhões de seguidores, publicou um vídeo em que crianças vestiam camisetas da marca B22 e pediam voto no 22, número de Flávio nas urnas.
A legenda do vídeo, citada pela coligação, diz: Recebemos 120 milhões de tokens $B22 por meio desta parceria! Um movimento que apoia a HypersKids e acredita em um Brasil melhor. A publicação também menciona Flávio, o deputado Nikolas Ferreira e o coach Pablo Marçal.
Pedidos concretos da coligação e dados financeiros
No documento enviado à PGE, a coligação pede a investigação de possíveis crimes e requer que sejam preservados registros de perfis no Instagram e no X, de um grupo no Telegram e da conta na Binance de onde partiram os recursos para a carteira que criou o token.
Na cotação do dia do pedido, os 120 milhões de tokens transferidos ao grupo equivaleriam a cerca de R$ 104,5 mil, segundo a coligação. O documento afirma ainda que o ativo movimentou aproximadamente R$ 1,06 milhão em 24 horas.
Implicações legais e próximos passos
A coligação sustenta que as mensagens que associam as recompensas ao incentivo ao voto no 22 caracterizam propaganda eleitoral remunerada, e pede que a PGE também avalie eventual compra de votos.
O caso, segundo o pedido, ainda não foi analisado pela Procuradoria-Geral Eleitoral, que deverá decidir se abre investigação criminal e adota medidas de preservação de provas para apurar a origem dos recursos e a vinculação entre a distribuição de criptomoedas e as publicações pró-candidatura.

