O ataque dos EUA ao Irã deve provocar forte aversão ao risco, pressão sobre preços do petróleo e busca por ativos seguros, com efeitos imediatos e desdobramentos para 2026
Os mercados globais devem abrir em clima de maior tensão e volatilidade após o ataque dos EUA ao Irã, com reflexos diretos em commodities e moedas.
Investidores devem observar o preço do petróleo, a rota do Estreito de Ormuz, e movimentos de fluxo para dólares, iene e ouro, em sinal de aversão ao risco.
As primeiras projeções indicam impacto mais forte que choques recentes, e analistas avaliam efeitos distintos no curto e no médio prazo, conforme a evolução do conflito, conforme informação divulgada pela matéria recebida.
Impacto imediato no petróleo e na logística pelo Estreito de Ormuz
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia, apesar das sanções internacionais em vigor, e tem conseguido manter exportações, enviando cerca de 90% delas para a China.
Cerca de 13 milhões de barris de petróleo bruto por dia transitaram pelo Estreito em 2025, representando aproximadamente 31% do fluxo global de petróleo bruto transportado por via marítima, segundo dados da empresa de inteligência de mercado Kpler.
A preocupação central é a manutenção da rota marítima pelo Estreito de Ormuz, que tem entre 55 a 95 km de largura, e por ele passa cerca de 20% do consumo global diário de petróleo e do fornecimento mundial de gás natural liquefeito.
Analistas esperam que o petróleo suba no curto prazo caso haja risco de restrição ao tráfego pelo Estreito, e que petroleiras e empresas do setor no Brasil tenham alta de curto prazo.
Reações dos mercados e busca por segurança
“Isso definitivamente tem ramificações maiores do que a Venezuela”, afirmou Florian Weidinger, co-diretor de investimentos da Santa Lucia Asset Management, para a CNBC, sobre o efeito do conflito nos preços do petróleo.
Weidinger completou, “A Venezuela era… realmente relevante apenas para quem se importa com aquele petróleo bruto pesado específico”, ao comparar os choques anteriores com o atual cenário no Oriente Médio.
Kenneth Goh, diretor de gestão de patrimônio privado da UOB Kay Hian em Singapura, projetou que “Esse é o padrão que os mercados irão observar na segunda-feira”, com busca por segurança e fortalecimento de moedas e ativos considerados defensivos.
Na leitura de analistas, é provável ver fortalecimento do dólar, do iene e do ouro, queda inicial em ações e aumento em prêmios de risco, com elevações nas curvas de juros de países avançados.
Cenários para o Brasil e empresas de energia
No Brasil, atenção em especial para petroleiras como Petrobras, PRIO e PetroRecôncavo, que costumam ter ações sensíveis a altas do petróleo no curto prazo.
Em fevereiro, essas empresas viram suas ações subir entre 7% e 12% em meio a tensões geopolíticas, e o Brent fechou o mês a US$ 72 o barril, nas máximas em seis meses, cenário que pode se repetir com nova onda de aversão ao risco.
O JPMorgan destacou que o Brasil aparece na análise como relativamente protegido de um choque energético internacional, com exportações equivalentes a 2,6% do PIB e importações de 1,6%.
Mesmo com essa proteção relativa, o país pode sofrer efeitos secundários, como aumento da volatilidade financeira global e impactos inflacionários temporários em combustíveis e fretes.
Médio prazo, oferta e possíveis reversões
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, lembra que a produção iraniana caiu de 4,1 milhões de barris por dia em 2017 para cerca de 3,2 milhões atualmente, mostrando redução de oferta acumulada.
Cruz observa que “Diferentemente da Venezuela, onde a infraestrutura da PDVSA enfrentou desafios, o Irã possui uma infraestrutura petrolífera em condições satisfatórias”.
Se houver mudanças políticas e o Irã se alinhar a potências ocidentais, é plausível que a produção iraniana aumente, possivelmente atingindo mais de 4 milhões de barris por dia até o segundo semestre, o que poderia pressionar preços no médio prazo.
Assim, embora haja alta de preços no curto prazo, o aumento de oferta no médio prazo pode reduzir o preço de equilíbrio, com efeito potencialmente desinflacionário para 2026.
O que investidores devem observar agora
Monitore diariamente o nível de interferência no Estreito de Ormuz, o comportamento do Brent e do WTI, e sinais de fuga para ativos seguros, como dólar e ouro.
Para investidores no Brasil, acompanhar exposição a empresas de energia, possíveis pressões inflacionárias e comunicação de bancos centrais será essencial para calibrar posições em ações, renda fixa e câmbio.
O cenário segue altamente dependente de desdobramentos geopolíticos, e as primeiras reações podem ser fortes, seguidas de ajustes conforme a confirmação de que rotas comerciais e infraestrutura não foram severamente afetadas.