Operação Fúria Épica, decisão de Trump por ataque em conjunto com Israel, negociações que atrasaram a ação, e a ordem final dada a bordo do Air Force One, segundo relatos
Em uma sequência de encontros e negociações, o presidente dos Estados Unidos optou por uma ofensiva militar em grande escala contra o Irã.
O movimento foi marcado por pressão direta de aliados, avaliações militares contraditórias e conversas diplomáticas que, na visão da Casa Branca, serviram para ganhar tempo.
Esses detalhes foram reunidos a partir de relatos de participantes das deliberações e reportagens recentes, conforme informação divulgada pelo The New York Times.
Pressão de Netanyahu e a construção da coalizão para a guerra
Segundo relatos, o primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi ao Salão Oval em 11 de fevereiro determinado a manter o presidente americano no caminho da guerra. Netanyahu buscava impedir que negociações entre Washington e Teerã viessem a impedir uma ofensiva.
Nos encontros privados, discutiram‑se datas prováveis para ataques e a possibilidade de o presidente, ainda que improvavelmente, conseguir um acordo com os iranianos, mas a pressão de Netanyahu persistiu.
Autoridades que acompanharam as conversas afirmam que a decisão dos EUA de atacar representou, na prática, uma vitória política para Netanyahu, que vinha pedindo há meses ações contundentes contra o que considerava um regime enfraquecido.
Em reuniões subsequentes, a aliança entre Washington e Jerusalém foi consolidada com intercâmbio constante entre altos oficiais militares e de inteligência de ambos os países, e com pedidos de adiamento do ataque até que Israel reforçasse suas defesas, segundo os relatos.
Opções apresentadas a Trump, avisos e a escolha pela campanha ampliada
Os militares apresentaram ao presidente uma gama de opções, que iam de ataques limitados a uma campanha destinada a derrubar a liderança iraniana. O chefe do Estado‑Maior Conjunto, general Dan Caine, alertou que uma guerra poderia provocar “baixas significativas” entre os americanos, além de risco de escalada regional.
Por outro lado, o vice‑presidente JD Vance defendeu que, se os EUA fossem agir, deveriam “ir com tudo e ir rápido”, argumento que ganhou força entre conselheiros próximos ao presidente.
Em público, Trump variou entre dizer que queria tentar um acordo com o Irã e afirmar que mudar o regime “parece ser a melhor coisa que poderia acontecer”. Nos bastidores, porém, o avanço rumo à ação militar ganhou ímpeto, impulsionado pelo sucesso operacional recente que o presidente via como roteiro de êxito.
A CIA elaborou cenários sobre as consequências da morte do aiatolá Ali Khamenei, incluindo a possibilidade de um clérigo linha‑dura substituí‑lo, ou, alternativamente, de uma facção mais pragmática da Guarda Revolucionária assumir a influência efetiva no país. Os relatórios avaliavam múltiplos desdobramentos, sem garantia de resultados previsíveis.
Mesmo assim, oficiais da Casa Branca decidiram que a diplomacia já não oferecia as condições que Trump exigia, e que o reforço militar reunido na região permitia iniciar uma campanha prolongada.
A ordem final, o ataque e as consequências imediatas
Três dias após uma reunião com líderes republicanos e poucos dias depois de conversas finais em Genebra, Trump deu a ordem oficial a bordo do Air Force One, enquanto viajava para um evento no Texas.
Ao autorizar a ofensiva, ele decretou em termos diretos, “Operação Fúria Épica está aprovada“, e determinou, conforme relato, “Sem abortar, Boa sorte“.
O ataque conjunto começou com um ataque de “decapitação”, baseado em informações de inteligência que indicavam a presença do líder supremo e de altos oficiais iranianos em um mesmo complexo em Teerã.
O resultado imediato foi a morte do líder supremo iraniano e danos a prédios civis e instalações militares, incluindo estruturas nucleares, conforme apurado pelas fontes. A ofensiva lançou o país no caos e desencadeou violência regional, e houve “morte de quatro soldados americanos e dezenas de civis iranianos.“
Autoridades americanas dizem que mais baixas americanas são prováveis enquanto os EUA se preparam para uma ofensiva que pode durar semanas, e o governo tem dito que a ação visou neutralizar uma ameaça que, na avaliação presidencial, não poderia ficar sem resposta.
Diplomacia, ambiguidades e críticas internas
Oficiais da Casa Branca mantiveram que as negociações com o Irã não eram mera encenação, mas críticos apontam que o envio de reforços navais e a mobilização militar durante as conversas já indicavam intenção de guerra.
Em entrevistas e encontros fechados, houve omissões sobre a real extensão dos objetivos, como a possibilidade de mudança de regime, e divergências sobre a necessidade de autorização do Congresso, que foram em grande parte contornadas pela Casa Branca.
Vozes isoladas, como a do comentarista Tucker Carlson, argumentaram contra a ação, listando riscos para tropas, energia e aliados árabes, e pediram que o presidente resistisse a pressões externas. A maioria dos conselheiros, no entanto, acabou alinhada com uma campanha ampla.
Militares ressaltaram que a operação seria mais complexa e arriscada do que ações anteriores celebradas pela administração, e advertiram para a possibilidade de esgotamento de estoques e prolongamento do conflito.
Ao justificar a decisão, a Casa Branca afirmou que Trump tomou uma “decisão corajosa” diante de uma ameaça que, na visão do governo, exigia ação imediata.
O que vem a seguir
Com a zona de conflito ampliada e uma retórica de intensidade crescente, a região enfrenta uma fase de alto risco. O futuro dependerá da resposta iraniana, das escolhas de aliados e da capacidade dos EUA e de Israel de manter controle sobre uma campanha que já causou mortes e apagado estruturas de comando.
Fontes das deliberações descrevem o processo como marcado por pressões externas, avaliações militares contraditórias e uma decisão presidencial que optou pela via militar quando a diplomacia, para Washington, deixou de ser viável. A crise se mantém aberta e pode levar semanas ou meses para definir seu contorno final.