Cuba vai levar à Assembleia Geral da ONU um novo pedido pelo fim do embargo dos Estados Unidos, pela 34ª vez quase consecutiva, em meio a apagões e restrições que a ilha atribui às sanções
Cuba anunciará uma nova resolução na última semana deste mês para pedir o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, em vigor desde a década de 1960.
O governo cubano confirmou a intenção de recorrer à Organização das Nações Unidas, repetindo uma prática anual que já ocorre desde 1992, com exceção de 2020, quando a pandemia afetou as atividades da ONU.
Conforme informação divulgada pelo Metrópoles, trata-se da “Pela 34ª vez quase consecutiva” que Havana apresenta esse apelo internacional, em um momento de forte crise interna e cortes de energia.
Por que Cuba recorre novamente à ONU
O governo cubano diz que o país é alvo de um embargo dos Estados Unidos desde 1962, adotado inicialmente no contexto da Guerra Fria após a aproximação com a União Soviética.
Segundo a justificativa oficial de Havana, as sanções afetam a capacidade do país de importar bens essenciais e de manter serviços públicos, e agravam uma crise energética que já resultou em apagões frequentes.
Dados e citações oficiais sobre os impactos
Cuba estima que “desde os anos 1960, as retaliações dos EUA já provocaram um prejuízo que ultrapassa a casa dos US$ 178 bilhões de dólares (cerca de R$ 888 bilhões)”, conforme dados divulgados pelo governo citado pelo Metrópoles.
O chanceler Bruno Rodríguez Parrilla afirmou, na Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU em 26 de setembro, que o país enfrenta uma “agressão multidimensional por parte do governo dos Estados Unidos, uma hostilidade permanente, abusiva e implacável que já dura quase sete décadas”.
Histórico de votações e efeitos práticos
Desde 1992, resoluções pedindo o fim do embargo têm sido votadas quase sem interrupção na Assembleia Geral da ONU, e as medidas costumam ser aprovadas por ampla maioria.
No último ano, 187 países adotaram o pedido de Cuba sobre o fim do embargo norte-americano, com apenas os EUA e Israel votando contra, e a Ucrânia se abstendo, segundo o mesmo relatório citado.
No entanto, resoluções da Assembleia Geral não têm caráter vinculativo, servindo como peso político e simbólico, e não impõem obrigações jurídicas aos Estados membros.
Crise energética e tentativas de adaptação
A ilha enfrenta interrupções na oferta de energia e busca alternativas, como investimentos em sistemas fotovoltaicos com ajuda da China, segundo o governo de Miguel Díaz-Canel Bermúdez.
Havana também relata que mudanças na Venezuela e medidas recentes de Washington contribuíram para agravar a situação energética, incluindo suspensão de envio de petróleo e ameaças de punição a países que forneçam combustível a Cuba.
Somente em 2026, Cuba já enfrentou sete apagões gerais que deixaram o país completamente no escuro, conforme registro citado pelo Metrópoles.
Com a nova resolução, Havana espera renovar o apelo internacional pelo fim do embargo, buscando maior pressão diplomática sobre Washington e atenção para as consequências humanitárias das sanções.

