No 4º trimestre de 2025, a demanda imobiliária se distribuiu por regiões e faixas de renda, com Fortaleza no padrão econômico, São Paulo no médio e Brasília no alto, segundo o IDI Brasil
A movimentação dos últimos três meses de 2025 mostra um mercado menos concentrado e mais competitivo entre as regiões, com capitais nordestinas ganhando espaço em diferentes perfis de renda.
Ao longo do ano, o ranking do Índice de Demanda Imobiliária, IDI Brasil, apresentou troca de lideranças entre trimestres, o que aponta para maior dinamismo e menor previsibilidade nas decisões de investimento.
Conforme informação divulgada pelo Sienge em parceria com a CBIC.
Mudança no protagonismo regional e destaque por faixa de renda
O 4º trimestre de 2025 apontou Fortaleza como a cidade mais atrativa para projetos no padrão econômico, São Paulo como líder no padrão médio e Brasília assumindo o 1º posto no alto-padrão. O estudo do IDI Brasil analisou 80 cidades em parceria do Sienge com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, CBIC.
No padrão econômico, que abrange famílias com renda de R$ 2 mil a R$ 12 mil e imóveis entre R$ 115 mil e R$ 575 mil, Fortaleza começou 2025 entre os líderes, assumiu a primeira posição no 3º trimestre e manteve a liderança até dezembro.
No padrão médio, grupo com renda familiar de R$ 12 mil a R$ 24 mil e imóveis entre R$ 575 mil e R$ 811 mil, São Paulo ocupou a liderança em três rodadas, com Curitiba e Goiânia também disputando as primeiras posições.
Capitais nordestinas e polos regionais em ascensão
Fortaleza ampliou participação no alto padrão e fechou 2025 entre as cinco primeiras em todos os perfis de renda, indicando capacidade de atração para diferentes segmentos.
São Luís registrou ganhos expressivos, no médio subiu da 47ª para a 24ª posição, no alto subiu 11 colocações, e no econômico avançou sete posições, movimento impulsionado pelo aumento da atratividade de lançamentos e expansão da oferta.
Recife e Salvador permaneceram entre os mercados mais competitivos, e o resultado geral mostra um padrão econômico cada vez mais liderado por capitais nordestinas.
Cidades fora do eixo tradicional e desempenho consistente
O interior também apareceu com força no ano. Sorocaba foi a única não capital no Top 10 do padrão econômico e se destacou em médio e alto padrão, sustentada por aumento da demanda direta e forte atratividade de lançamentos.
Campinas subiu 16 posições no alto padrão e terminou o ano no Top 15 do segmento, Porto Belo manteve relevância estratégica no alto padrão, e Goiânia combinou desempenho consistente em todas as faixas, mantendo-se no Top 5 do padrão econômico durante todo o ano.
Renato Correa, presidente da CBIC, afirmou, “Goiânia mostra que mercados fora do eixo tradicional podem crescer com estabilidade. A cidade manteve desempenho consistente em todos os padrões de renda, o que indica base econômica sólida e capacidade de absorção de novos projetos. Esse equilíbrio cria previsibilidade para o investidor e amplia as possibilidades de expansão planejada”.
O que dizem os analistas e o cenário para 2026
Segundo Gabriela Torres, gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, “Os rankings ficaram mais móveis ao longo do ano, o que mostra que a demanda está reagindo a fatores econômicos, oferta e perfil de lançamentos de forma mais sensível. Isso exige acompanhamento constante dos dados e decisões baseadas em evidências atualizadas. Em um cenário mais distribuído, quem lê os sinais com rapidez e profundidade sai na frente”.
Fabio Garcez, do CV CRM, destaca que mercados emergentes podem orientar decisões de investimento, “Ao longo de 2025 vimos cidades tomarem protagonismo e isso se reflete na dinâmica econômica e aumento da procura por imóveis. Aconteceu em Sorocaba, por exemplo, que teve a viralização das redes sociais refletida no aumento da procura por imóveis.”
Para José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC, “É importante perceber que este número indica como está à procura dos consumidores. É essa demanda que vai aquecer as vendas e o indicador deve ser usado para tomar melhores decisões. Temos neste índice dados de transações reais, sem pesquisa autodeclarada.”
O balanço do IDI Brasil para 2025 indica um cenário mais competitivo e menos previsível, onde acompanhar a demanda imobiliária em tempo real e com dados de transação se torna essencial para quem planeja lançamentos e investimentos em 2026.