Aguarde, Carregando
Pular para o conteúdo

Dinheiro cai do céu Bolívia, queda de avião militar em El Alto espalha cédulas de 10 a 50 bolivianos, governo cancela séries e tenta queimar notas após 22 mortos

Um avião de carga militar que transportava novas notas para o Banco Central da Bolívia caiu perto do Aeroporto Internacional de El Alto na tarde de sexta-feira, provocando uma avalanche de cédulas sobre a cidade.

Pelo menos 22 pessoas morreram e pelo menos 37 ficaram feridas, a maioria em veículos próximos ao aeroporto, conforme os relatos das autoridades locais.

Enquanto equipes buscavam sobreviventes, multidões correram para recolher notas, e o governo organizou a retirada e a destruição das séries, em uma operação intensa e cercada por segurança, conforme informações divulgadas pelas autoridades bolivianas e imprensa local.

Acidente, vítimas e movimentação em El Alto

O acidente aconteceu na tarde de sexta-feira, quando a aeronave militar caiu próxima ao terminal, segundo relatos divulgados pelas autoridades. As imagens exibidas pela TV local mostraram o avião aparentemente carregado de papel moeda.

Autoridades informaram que a maioria das vítimas estava em veículos próximos ao aeroporto e que equipes de resgate tentam chegar a sobreviventes em meio à cena caótica. No total, foram confirmadas pelo menos 22 mortes e pelo menos 37 feridos.

O vice-ministro do Interior, Hernán Paredes, afirmou que a situação atraiu uma multidão, e, segundo ele, “Nossas estimativas sugerem que, no auge do conflito, havia cerca de 20 mil pessoas” tentando recolher as notas, e que houve prisões durante a confusão.

Notas usadas, valor e risco de circulação

As cédulas encontradas no local eram de 10 a 50 bolivianos, o equivalente a cerca de US$ 1 a US$ 5 no mercado paralelo de câmbio, muito utilizado na Bolívia. O salário mínimo do país está atualmente fixado em 3.300 bolivianos, o que dá dimensão do impacto das notas na economia local.

O Banco Central anunciou que está cancelando a validade das notas, que podem ser identificadas por uma série específica impressa em cada cédula. A reguladora ASFI alertou que as notas do acidente não devem ser usadas, e afirmou que “As faturas referentes ao acidente foram totalmente identificadas”.

Apesar disso, autoridades reconhecem que separar legalmente as cédulas obtidas antes do acidente das recolhidas no local é complicado, porque algumas notas dessa série já estavam em circulação, e a economia boliviana segue sendo, em grande parte, baseada em transações em dinheiro vivo.

Medidas do governo, segurança e implicações econômicas

As forças de segurança cercaram a área e o Exército apoia a operação para controlar a circulação das notas, recolher as cédulas do local e proceder à sua destruição. As autoridades disseram que houve detenções, e o vice-ministro declarou que “Havia grupos de vândalos infiltrados, por isso detivemos 49 pessoas”.

O governo orientou que portadores de notas legítimas da série afetada procurem bancos para trocá-las por outras séries, e alertou instituições financeiras para reter e denunciar quaisquer tentativas de introduzir essas cédulas no sistema.

Economicamente, o episódio se soma a um contexto de inflação elevada na Bolívia, que atingiu quase 25% no ano passado e tem caído para pouco menos de 20% nos últimos meses, enquanto o novo presidente, Rodrigo Paz, tenta estabilizar as finanças públicas. Especialistas e autoridades dizem que a circulação indiscriminada das notas pode gerar distorções locais e desafios operacionais para bancos e comerciantes.

O que se espera seguir

As investigações continuam para identificar a causa do acidente e quantificar o montante de notas afetadas, que não foi divulgado oficialmente. As autoridades afirmam que as cédulas da série cairão em desuso e serão canceladas, e que qualquer tentativa de uso será comunicada às autoridades competentes.

A cena em El Alto permanece sob forte vigilância, e equipes de limpeza seguem trabalhando para recuperar cédulas e documentar evidências, enquanto a população e o governo enfrentam as consequências humanas e econômicas do desastre.