Eduardo Bolsonaro pede a Donald Trump a imposição de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O apelo ocorre após a condenação de Eduardo em um processo ligado à trama golpista, sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto e multa de R$ 165 mil.
Em um vídeo divulgado na plataforma X, Eduardo Bolsonaro solicitou diretamente ao ex-presidente norte-americano, Donald Trump, que retome as sanções contra o ministro Moraes. O pedido faz referência à chamada “Lei Magnitsky”, instrumento utilizado para sancionar indivíduos por violações de direitos humanos e corrupção.
Moraes já havia sido sancionado sob esta lei no ano passado, mas a medida foi revertida por Trump meses depois. Eduardo Bolsonaro argumenta que as ações de Moraes representam autoritarismo e que as mesmas pessoas que o perseguem “desprezam tudo pelo que sua administração se posiciona: liberdade de expressão, democracia e o Estado de Direito”.
O ex-deputado afirmou estar em Dallas, no Texas, e declarou que sua busca por apoio internacional se deve a uma suposta perseguição política. Ele alega desconhecer os detalhes do processo judicial no Brasil, pois teria sido informado apenas pela imprensa e redes sociais, sem ter sido oficialmente intimado nos Estados Unidos.
Justificativas para o Pedido de Sanções
Para fundamentar seu pedido, Eduardo Bolsonaro listou uma série de ações atribuídas a Alexandre de Moraes. Entre elas, estão o congelamento das contas da Starlink no Brasil, a detenção do assessor americano Jason Miller e a expedição de mandados contra cidadãos americanos por publicações na internet. Ele também mencionou a decisão de uma corte italiana sobre a extradição de Carla Zambelli.
Eduardo expressou ainda a esperança de que, caso seu irmão, Flávio Bolsonaro, seja eleito presidente do Brasil em outubro, haverá uma anistia para ele e para Jair Bolsonaro. “Vamos eleger em outubro Flávio Bolsonaro presidente do Brasil para resgatar nossa boa relação não só com os Estados Unidos, mas com as democracias ao redor do mundo”, declarou.
Reação de Donald Trump e Resposta de Lula
As declarações de Eduardo Bolsonaro ocorreram no mesmo dia em que Donald Trump comentou sobre a condenação durante a cúpula do G7. Trump, no entanto, cometeu um equívoco ao se referir à situação, misturando os nomes dos filhos de Jair Bolsonaro. Ele mencionou a prisão de um “Bolsonaro Jr.” que estaria concorrendo a um cargo, quando na verdade é Flávio quem concorre e Eduardo quem foi condenado.
O ex-presidente americano também descreveu o Brasil como “perigoso politicamente”, o que gerou uma resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Pra mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, afinal, gosto não se discute. Só não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são problema do Brasil”, afirmou Lula, em referência às interferências estrangeiras no processo eleitoral brasileiro.

